A Organização Mundial de Saúde (OMS) define healthcare como um sistema de saúde e de cuidados de saúde constituído por todas as organizações, pessoas e acções cuja principal intenção é promover, restaurar ou manter a saúde onde se incluem esforços para influenciar determinantes mais amplos da saúde.
O Invest Trend “SAÚDE E INOVAÇÃO” visa capitalizar com os temas do aumento da esperança média de vida, envelhecimento populacional e crescente procura por cuidados de saúde.
Composição do Trend:
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35% – LU0171309270 (BGF World Healthscience Fund)
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25% – LU0085953304 (UBS Sustainable Health Transformation USD)
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20% – LU1021349151 (JPMorgan Global Healthcare)
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20% – LU2075272034 (Schroder ISF Healthcare Innovation)
Porque se tornou este conceito tema tão basilar e indiscutível?
Em primeiro lugar, a esperança média de vida (EMV). Na Europa, de acordo com as Nações Unidas, a EMV aumentou dos 62,8 anos em 1950 para 73,5 anos em 2000 com a expectativa de atingir os 83,8 anos em 2050. No ano de 2050, os Estados Unidos liderarão com uma EMV de 84 anos (ver Figura 1).
Figura 1 - Esperança Média de Vida em 1950, 2000 e estimativa para 2050, por região

Fonte: Nações Unidas.
Outro factor que ajuda a explicar a crescente importância do tema “Saúde” é o aumento populacional mundial. Porém, a sua relação é complexa e multifacetada. À medida que a população cresce, a procura de produtos e serviços de saúde é esperada aumentar, o que poderá levar a complicações na prestação de cuidados adequados a todos os indivíduos. De acordo com as Nações Unidas, foi atingido o marco dos 8 mil milhões de pessoas em 2022, com expetativa que atinja os 10 mil milhões em 2055 e que a taxa de crescimento populacional mundial passe a negativa em 2088 (ver Figura 2).
Figura 2 – Evolução e taxa de crescimento anual da população mundial, desde 1950, com estimativas até 2100

Fonte: Nações Unidas, Statista.
No contexto de constante evolução do sector, vários subsectores desempenham um papel fundamental na sua definição, contribuindo cada uma delas para o funcionamento sustentável deste ecossistema: Pharma e Biotecnologia, Medtech, Prestadores de Serviços, empresas de Seguros de Saúde ou Entidades Governamentais, Consultoria de Saúde e Health Finance.
A despesa mundial com healthcare tem vindo a aumentar. Um dos principais fatores que influenciam a despesa em healthcare é o nível de rendimento. Em teoria, quanto maior for o rendimento per capita, maior será a despesa com a saúde e países com um PIB mais elevado tendem a ter despesas de saúde mais elevadas e melhores resultados no domínio da saúde. Outros factores incluem a o consumo de serviços e bens médicos, concentração das despesas de saúde e características individuais (i.e. genética e prevalência de doenças).
Em 2024 a despesa total de saúde atingiu os 9,3% PIB em média dos países da OCDE, com os Estados Unidos acima de um rácio de 17%, seguidos da Alemanha com 12,3% (ver Figura 3).
Figura 3 – Despesa em saúde em percentagem do PIB, em 2024

Fonte: OCDE, WHO.
Numa análise per capita, em 2024, os Estados Unidos lideram com um gasto per capita de 12.649 USD face a 1.794 USD em 1970, seguidos da Suíça e Alemanha com um gasto de 8.046 USD e 7.553 USD, respectivamente (ver Figura 4).
Figura 4 – Despesa em saúde per capita, entre 1970 e 2024

Fonte: OCDE, World Bank.
É possível depreender, pela figura anterior, um significativo aumento na despesa com healthcare entre 2019 e 2020, resultante da pandemia de COVID-19. Em 2020, de acordo com a OMS, os governos aumentaram significativamente as suas despesas com a saúde em resposta à pandemia. No país mais gastador a nível mundial, EUA, por exemplo, a OCDE estima que em 2024 do total de gastos com saúde, 85% sejam gastos governamentais com os restantes 15% atribuíveis ao agregado familiar (ver Figura 3).
De acordo com a revista científica The Lancet, prevê-se que o gasto global em Saúde, em 2050, atinja 16.9 biliões de dólares. Isto representa, em média, cerca de 1.827 dólares por pessoa e um aumento em quase 84% no gasto total. A Lancet prevê os EUA, a Suíça e as Bermudas como os 3 principais países gastadores em saúde per capita. Os 3 principais países com menor gasto, em 2050, serão a Somália, a Eritreia e o Sudão do Sul.
Tendências e Oportunidades
A “longevidade” deverá ser o tema a marcar as próximas décadas. Tal como referido anteriormente, a esperança média de vida continua a aumentar. Contudo, o número de anos de vida saudáveis está a aumentar a um ritmo significativamente mais lento. Resolver este desequilíbrio será um dos principais motores de crescimento em healthcare. O foco está em inovações que permitem a deteção mais precoce da doença, retardam a progressão e mantêm a independência na velhice. De acordo com o Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), entre 2000 e 2019, a esperança média de vida global aumentou 6,5 anos, ao passo que a esperança média de vida saudável aumentou apenas 5,4 anos. À data de 2019, o gap era de 9,6 anos versus 8,5 anos registados no ano de 2000 (ver Figura 5). Estes anos adicionais são frequentemente caracterizados por doenças crónicas e representam uma parte significativa dos custos de saúde.
Figura 5 – Tendências na esperança média de vida vs expectativa ajustada pela saúde, entre 2000 e 2019

Fonte: Institute for Health Metrics and Evaluation, Bellevue Asset Management.
Com o objetivo de estreitar o GAP mencionado anteriormente, os segmentos que, por consequência, mais deverão beneficiar:
(1) DIGITAL HEALTH
A Telemedicina, Wearables e Remote Monitoring deverão ser cruciais para o crescimento deste segmento. Com os objetivos de prevenção e deteção precoce, as soluções digitais de monitorização deslocam o diagnóstico e antecipam a intervenção, ao capturar continuamente dados fisiológicos e identificar sinais de risco precoces.
A saúde digital continua a ser um dos segmentos que mais cresce na área da Saúde. Do ponto de vista geográfico, a região Ásia-Pacífico destaca-se impulsionada pela prestação de cuidados de saúde mobile-first e infraestrutura de saúde digital apoiada pelos governos. Os modelos de cuidados híbridos, presenciais e virtuais, são agora norma nos cuidados primários e na gestão de doenças crónicas. Temas como a Saúde Mental e Comportamental, deverão impulsionar o crescimento para as próximas décadas.
(2) MEDTECH
Procedimentos minimamente invasivos e assistidos por robôs deslocam o foco da reparação para a preservação da mobilidade e autonomia, permitindo intervenções mais precisas, menos invasivas e precoces na via da doença. O benefício económico reside em tempos de recuperação mais curtos, taxas de complicações mais baixas, menos procedimentos de seguimento e uma mudança crescente para cuidados ambulatórios. O envelhecimento das populações e o crescimento de doenças cardiovasculares, diabetes, cancro e condições neurológicas continuam a impulsionar o volume de procedimentos e a procura por dispositivos médicos. Os diagnósticos, imagiologia e monitorização habilitados por IA estão a passar de pilotos para padrão de cuidados.
A indústria dos dispositivos médicos é esperada registar um crescimento constante, com as vendas anuais globais previstas para crescerem mais de 5% ao ano e atingirem quase 800 mil milhões de dólares até 2030 (ver Figura 6). Estas projeções refletem a crescente procura por novos dispositivos inovadores, como dispositivos vestíveis, e serviços, como dados de saúde.
Figura 6 – Vendas globais de dispositivos médicos até 2030

Fonte: Ibid.
Embora seja esperado que os EUA continuem a dominar a indústria de dispositivos médicos até 2030, ultrapassando os 300 mil milhões de dólares em vendas nesse ano, o segundo lugar deverá ser ocupado pela China com mais de 25% do mercado global ou mais de 200 mil milhões de dólares (ver Figura 7). A China e a Índia estão a crescer a um ritmo do dobro do mercado global, impulsionados por reformas na saúde, incentivos dos governos locais e pelo aumento geral da procura por cuidados de saúde.
Figura 7 – Sete maiores mercados globais de dispositivos médicos, por previsão de receitas em 2030

Fonte: Emergo Group, US International Trade Administration, Business Standard.
(3) PHARMACOTHERAPY
Estas terapias retardam a progressão da doença, reduzem a mortalidade e prolongam o período durante o qual as pessoas podem viver de forma independente. Os avanços na farmacoterapia abordam cada vez mais mecanismos biológicos interdoentes (i.e. processos ou interações biológicas que ocorrem entre diferentes doenças no organismo), em vez de indicações isoladas. No que a Pharmacotherapy diz respeito, de acordo com a IQVIA, perspetiva-se um crescimento (CAGR) de entre 5% e 8% até 2029. Este crescimento será impulsionado pela (a) Oncologia, (b) Imunologia/Biosimilares e (c) Obesidade. Os dois primeiros, (a) e (b), ultrapassaram o crescimento médio global de 15% no uso de medicamentos entre 2020 e 2024, impulsionados, maioritariamente, por um número substancial de novos produtos e por um acesso mais alargado.
- Oncologia (ver Figura 8): os gastos com medicamentos contra o cancro subiram para 252 mil milhões de dólares, a nível global em 2024. Espera-se que, em 2029, este valor seja de 441 mil milhões de dólares o que representa um aumento de 75%;
- Imagiologia/Biosimilares (ver Figura 9): o crescimento do volume, até 2029, deverá manter-se entre os 6% e 9% numa perspetiva CAGR e cerca de 44% entre 2025 e 2029;
- Obesidade (ver Figura 10): o gasto global com o combate à obesidade acelerou entre 2022 e 2024 e perspetiva-se um crescimento de 201% entre 2025 e 2029, cerca de entre 23% e 26% CAGR para cerca de 70 mil milhões de dólares em 2029;
Figura 8 – Despesa global em Oncologia, entre 2015 e 2024 com estimativas entre 2025 e 2029

Fonte: IQVIA.
Figura 9 – Despesa global em Imunologia, entre 2015 e 2024 com estimativas entre 2025 e 2029

Fonte: IQVIA.
Figura 10 – Despesa global no combate à Obesidade, entre 2015 e 2024 com estimativas entre 2025 e 2029

Fonte: IQVIA.
Conclusão
Em suma, o sector da Saúde está a tornar-se cada vez mais central, impulsionado pelo envelhecimento populacional e aumento da EMV e por conseguinte o aumento da despesa global com healthcare. A inovação surge como factor-chave para responder a estes desafios, promovendo maior eficiência e melhores resultados clínicos. As áreas de Digital Health, Medtech e Farmacoterapia deverão liderar esta transformação. Assim, a inovação aliada à Saúde revela-se essencial e com forte potencial de crescimento futuro.