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# Actualização sobre o Impacto nos Mercados da Guerra no Irão

 26 Março 2026

 Global market status

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Passadas mais de três semanas desde o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, o conflito mantém-se intenso, com alguns avanços militares e pouca abertura diplomática. Nas últimas semanas, assistiu‑se a novas operações direccionadas, incluindo ataques que atingiram altos responsáveis das forças iranianas, nomeadamente, líderes da Guarda Revolucionária do Irão. Estas acções ocorreram num contexto em que ambas as partes rejeitaram propostas de cessar‑fogo e planos de paz apresentados por Washington, com o Irão a insistir na necessidade de reconhecer a sua soberania no Estreito de Ormuz, enquanto simultaneamente lançava ataques adicionais contra alvos israelitas e infraestruturas na região.

A crescente tensão não tem sido limitada aos teatros tradicionais de conflito, estendendo‑se também ao domínio marítimo, através de ataques a navios, tentativas de bloqueio e interrupções de passagem no Estreito de Ormuz, restringindo severamente o transporte global de energia. Como tal, a consequência mais imediata para os mercados continua a ser o aumento dos preços da energia. O **Brent** permanece acima dos 100 dólares por barril, depois de ter disparado mais de 40% desde o início do conflito, reflectindo a maior incerteza quanto ao fluxo de petróleo e gás através do estreito, responsável por cerca de um quinto do abastecimento global.

**Figura 1** –  Evolução YTD da Cotação do Barril de *Brent*![Picture1-Mar-26-2026-03-29-51-0614-PM](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/Picture1-Mar-26-2026-03-29-51-0614-PM.png?width=600&height=354&name=Picture1-Mar-26-2026-03-29-51-0614-PM.png)

Fonte: Banco Invest, Bloomberg.

O mercado de **gás natural** sofreu ainda mais pressão, sobretudo após a interrupção da produção de GNL no Qatar, na sequência de ataques a instalações energéticas estratégicas, acentuando a escassez temporária e levando vários países asiáticos a procurar abastecimento alternativo a preços mais elevados. Ainda assim, apesar da volatilidade, alguns analistas sugerem que estes movimentos representam mais uma reação a perturbações logísticas do que um colapso estrutural da oferta, salientando que o mercado energético mundial tende a adaptar-se à medida que o choque inicial é absorvido. Projecções recentes apontam para a possibilidade de os preços recuarem de forma gradual caso o fluxo marítimo seja parcialmente restabelecido e o conflito não escale para níveis que comprometam a infraestrutura energética regional de forma prolongada.

Nos mercados financeiros, a reacção inicial marcada por quedas generalizadas deu lugar a um comportamento mais brando. As **bolsas globais**, embora ainda sujeitas a movimentos diários influenciados por notícias do conflito, têm demonstrado alguma resiliência, conforme evidenciado pela evolução do mercado norte-americano, com o S&P-500 a cair menos de 5% desde o início do conflito. Adicionalmente, diversos economistas têm vindo a destacar que, historicamente, mesmo conflitos de grande intensidade tendem a ter efeitos moderados e temporários nos mercados bolsistas, sobretudo quando os investidores conseguem distinguir choques de natureza militar e choques macroeconómicos prolongados.

**Figura 2** –  Evolução do S&P-500 desde o Início do Conflito![Picture2-Mar-26-2026-03-32-34-2085-PM](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/Picture2-Mar-26-2026-03-32-34-2085-PM.png?width=600&height=348&name=Picture2-Mar-26-2026-03-32-34-2085-PM.png)

Fonte: Banco Invest, Bloomberg.

No universo obrigacionista, o impacto tem sido mais heterogéneo. As *yields* das **obrigações soberanas** aumentaram ligeiramente, reflectindo expectativas de **inflação** mais elevada devido aos custos energéticos, mas não houve um movimento que indicasse perda de confiança nas economias desenvolvidas ou nos seus bancos centrais. Por sua vez, os ***spreads* de crédito**, especialmente no segmento *High Yield*, registaram algum alargamento, sobretudo entre empresas mais expostas à volatilidade dos preços da energia ou com estruturas de custo sensíveis a combustíveis e transporte. No entanto, esta deterioração tem sido gradual e menos severa do que em crises anteriores, sugerindo que, pelo menos de momento, os investidores não antecipam um cenário de recessão profunda ou de deterioração generalizada das condições financeiras.

**Figura 3** –  Evolução dos *Spreads* de Crédito (HY) na Europa

![Picture3-Mar-26-2026-03-34-24-6953-PM](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/Picture3-Mar-26-2026-03-34-24-6953-PM.png?width=600&height=355&name=Picture3-Mar-26-2026-03-34-24-6953-PM.png)

Fonte: Banco Invest, Bloomberg.

Do ponto de vista **macroeconómico**, várias instituições internacionais alertaram para o risco de desaceleração global caso os preços da energia permaneçam elevados ao longo do ano, estimando que o crescimento global em 2026 possa ser revisto em baixa entre 0,3 e 0,6 pontos percentuais se o conflito durar para além do segundo trimestre. Ainda assim, tanto os Estados Unidos como a Europa mantêm *buffers* económicos relevantes (mercados laboral forte, reservas de energia reforçadas e políticas monetárias suficientemente flexíveis) que poderão mitigar parte dos impactos mais severos.

Em síntese, embora a guerra tenha introduzido uma dose significativa de incerteza nos mercados, o comportamento das diferentes classes de activos sugere que os investidores continuam a distinguir entre volatilidade de curto prazo e tendências estruturais de longo prazo. **Momentos de instabilidade geopolítica, por mais perturbadores que sejam, raramente anulam os fundamentos que suportam o crescimento global e o desempenho dos mercados ao longo dos ciclos**.

Para os investidores, este período reforça a importância de manter uma estratégia disciplinada, de assegurar **diversificação** adequada e, acima de tudo, de evitar decisões precipitadas motivadas por emoções ou por ruído noticioso. **A história mostra que os mercados recuperam** e que aqueles que permanecem investidos, com um horizonte de **longo prazo**, tendem a colher os frutos dessa resiliência quando a poeira assenta.

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