O Allianz Global Wealth Report 2026 conclui que a riqueza financeira global das famílias atingiu um novo máximo histórico em 2025 mas alerta que uma parte significativa desse crescimento resulta da valorização dos mercados financeiros e não do aumento efectivo do poder de compra.
📈 Riqueza global em máximos históricos
Os activos financeiros globais das famílias cresceram 8,6% em 2025, alcançando um recorde de 268,4 biliões de euros.
Cerca de 80% da nova riqueza criada resultou da valorização dos mercados enquanto a poupança nova diminuiu 5,4%, para 4,1 biliões de euros.
🤖 A Inteligência Artificial está a moldar a riqueza futura
A Allianz identifica a IA como o principal motor potencial da próxima vaga de criação de riqueza.
Contudo, alerta para dois riscos:
➡️ Valorizações excessivamente elevadas;
➡️ Concentração dos ganhos num pequeno número de empresas e investidores.
Segundo o relatório, a IA poderá aumentar ainda mais o diferencial entre quem possui activos financeiros e quem depende principalmente do rendimento do trabalho.
💰 Investidores em ações continuam a ganhar vantagem
Os activos investidos em títulos e acções cresceram 12,4%, muito acima dos depósitos bancários (5,7%) ou dos seguros e pensões (5,0%).
As acções e outros títulos representam agora 46,9% da riqueza financeira mundial, o valor mais elevado de sempre.
A Allianz destaca que os investidores norte-americanos beneficiaram particularmente desta tendência, graças à forte exposição aos mercados accionistas.
Nesse contexto, a Suíça permanece como o país com os maiores activos financeiros per capita do mundo. No final de 2025, a população suíça detinha activos financeiros brutos médios de 406.060 euros por pessoa.

Mesmo assim, o crescimento das famílias suíças ficou abaixo da média global. Os activos financeiros líquidos do país aumentaram 3,9%, para cerca de 3,6 biliões de euros, enquanto a média mundial avançou 8,6%.
Curiosamente, apesar da reputação financeira do país, os investidores suíços continuam relativamente conservadores. Apenas 32,6% dos seus ativos estão investidos em valores mobiliários, um valor inferior à média europeia e muito distante da média norte-americana.
🌍 Europa continua atrasada
Apesar do crescimento nominal da riqueza, a situação real é menos favorável:
Desde 2019, os activos financeiros globais cresceram cerca de 50%, em termos nominais, mas apenas 23% em termos reais após descontar a inflação.
Na Europa Ocidental, o crescimento real da riqueza desde 2019 é praticamente nulo: apenas 0,5%.
Nos EUA, a subida real ronda 21%, enquanto na China ultrapassa 70%.
🏦 Endividamento sob controlo
A dívida global das famílias cresceu apenas 3,4%, muito abaixo do crescimento dos activos.
O património financeiro líquido mundial aumentou 10,1%, atingindo 211,5 biliões de euros.
⚠️ A desigualdade continua elevada
O relatório da Allianz revela que a concentração de riqueza continua extrema porque os 10% mais ricos do mundo detêm 85,4% dos activos financeiros líquidos globais.
A convergência entre economias desenvolvidas e emergentes está a desacelerar.
Mensagem principal
O Allianz conclui que a riqueza mundial continua a crescer, mas cada vez mais impulsionada pelos mercados financeiros e pela inteligência artificial, e menos pela poupança tradicional. Quem possui ações e outros ativos financeiros beneficia desproporcionalmente deste ciclo, enquanto a desigualdade patrimonial continua elevada e a Europa permanece significativamente atrás dos Estados Unidos e da Ásia na criação de riqueza real.
Consulte artigo da Allianz aqui.
Fonte: Allianz