Apostar Contra o Dólar? JPMorgan Acredita que Pode Ser um Erro Caro

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Durante anos, muitos investidores seguiram uma lógica aparentemente simples: os elevados défices públicos, a expansão monetária e a inflação acabariam por corroer o valor das moedas fiduciárias, levando inevitavelmente à queda do dólar norte-americano. 

Ouro, matérias-primas e, mais recentemente, criptomoedas tornaram-se os investimentos preferidos para proteger o património contra essa erosão do poder de compra.

No entanto, uma análise recente do JPMorgan sugere que a desvalorização monetária pode continuar a favorecer activos reais sem que isso implique necessariamente um colapso do dólar.

O equívoco da “morte do dólar”


Segundo o JPMorgan, confundir desvalorização monetária com colapso do dólar é um erro estratégico porque as taxas reais continuam a favorecer os Estados Unidos.

Os mercados estão a incorporar taxas de juro reais norte-americanas próximas dos 2%, um nível particularmente elevado quando comparado com outras economias desenvolvidas.

Além disso, o diferencial de rendimentos entre os Estados Unidos e o resto do mundo encontra-se perto dos máximos dos últimos quarenta anos. Actualmente, o dólar oferece rendimentos superiores aos de mais de metade de moedas globais, algo que não acontecia há cerca de um quarto de século.

O JPMorgan estima ainda que o dólar esteja a negociar cerca de 3% a 4% abaixo do seu valor justo, sugerindo que poderá existir margem para uma apreciação adicional.

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A inflação não é apenas um problema norte-americano


Outro ponto frequentemente ignorado pelos defensores da queda iminente do dólar é o carácter global da inflação.

Muitos dos principais bancos centrais do mundo enfrentam desafios semelhantes. Assim, embora o dólar possa perder poder de compra em termos absolutos, continua a competir com outras moedas que sofrem pressões semelhantes.

Se os bancos centrais de diversas economias estiverem simultaneamente a aumentar as taxas de juro para combater a inflação, torna-se mais difícil assistir a uma depreciação prolongada da moeda norte-americana. Para que o dólar enfrente uma queda estrutural significativa, seria normalmente necessária uma alteração relativa da política monetária muito mais favorável ao resto do mundo.

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Todos os caminhos levam para o carry trade



Em vez de vender indiscriminadamente dólares, o JPMorgan defende uma abordagem mais selectiva no mercado cambial.

O conceito-chave é o carry trade, isto é, a remuneração obtida por deter moedas com taxas de juro relativamente mais elevadas.

Neste contexto, os analistas favorecem moedas de países exportadores de energia que ofereçam yields reais atractivos. Em contrapartida, moedas com yields relativamente baixas e elevada sensibilidade ao ciclo económico mundial poderão continuar sob pressão.

Entre as moedas apontadas como mais vulneráveis destacam-se:

➡️ Coroa sueca (SEK)
➡️ Dólar neozelandês (NZD)
➡️ Dólar canadiano (CAD)


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A excepção japonesa



O iene japonês surge como a principal excepção à estratégia pró-dólar.

A possibilidade de uma realocação significativa de activos por parte do fundo público japonês, combinada com uma progressiva normalização da política monetária do Banco do Japão, pode gerar fluxos favoráveis à moeda japonesa.

Contudo, o JPMorgan alerta que boa parte deste optimismo já poderá estar reflectida nos preços. O cenário-base do banco mantém o par USD/JPY entre 155 e 165.

Para uma apreciação sustentada do iene seria necessário um enfraquecimento significativo da economia norte-americana ou mesmo uma intervenção explícita das autoridades norte-americanas para conter a força do dólar.

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Conclusão

 

As próximas semanas poderão ser cruciais para as moedas tendo em conta que serão realizadas as reuniões de política monetária do Banco Central Europeu (dia 10), a Reserva Federal EUA (dia 16) e o Banco do Japão (dia 18).

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Os investidores não devem assumir automaticamente que a desvalorização monetária conduz à queda do dólar.


Ouro, matérias-primas e outros activos reais podem continuar a beneficiar de um ambiente de inflação estrutural, sem que isso implique uma depreciação da moeda norte-americana.

Pelo contrário, os elevados diferenciais de yields, as taxas reais positivas e uma avaliação considerada atractiva continuam a fornecer ao dólar uma importante margem de protecção.

Para já, a aposta mais racional poderá não ser vender dólares, mas sim escolher cuidadosamente quais as moedas que apresentam fundamentos suficientemente fortes para competir com a moeda norte-americana.

 

Fonte: JPMorgan, Reuters, TME

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