As Grandes Oportunidades na Transição Energética Global

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Nos últimos anos, a transição energética acelerou de forma decisiva, impulsionada por diversos factores, nomeadamente, económicos, ambientais e geopolíticos. O aumento da procura global de electricidade, reforçado pela electrificação dos transportes, pela digitalização da economia e pelo crescimento exponencial das necessidades computacionais, coloca uma pressão inédita sobre os sistemas energéticos. Neste contexto, vivese o que muitos consideram ser uma nova corrida energética, em que diversas tecnologias podem vir a desempenhar um papel central.

No que diz respeito às energias renováveis, nomeadamente, solar e eólica, têm vindo a assumir um papel cada vez mais importante no contexto da matriz energética mundial, fruto da descida significativa dos custos de instalação e operação e do desenvolvimento tecnológico. A sua capacidade de escalabilidade rápida é particularmente relevante para países e empresas que procuram diversificar e descarbonizar a produção de energia.

No entanto, a intermitência destas fontes continua a ser um desafio, na medida em que a produção depende das condições meteorológicas, exigindo maior flexibilidade das redes eléctricas e um planeamento mais robusto. Isto significa que a expansão renovável não pode ocorrer isoladamente, depende de reforços tecnológicos e de suporte estrutural.

Figura 1 –  Evolução do Investimento Global na Transição Energética, por Sector

Fonte:  BloombergNEF.

Por outro lado, após décadas de debate, a energia nuclear voltou a ganhar algum protagonismo, impulsionada pela volatilidade dos mercados internacionais de energia, a necessidade de reduzir emissões e a busca por fontes estáveis de produção. Ao contrário das renováveis, a energia nuclear não sofre intermitências, oferecendo uma produção contínua, mais previsível e livre de emissões durante a operação.

Entre outros desenvolvimentos recentes, o surgimento dos reactores modulares de pequena dimensão (SMR) representa uma evolução relevante. Estes modelos prometem menores custos de construção, prazos reduzidos e maior flexibilidade na integração com sistemas renováveis. Embora ainda em fase de desenvolvimento e demonstração comercial, são vistos como uma das peças fundamentais para um futuro energético mais equilibrado.

Não menos relevante, à medida que a quota de energias renováveis aumenta, cresce também a necessidade de armazenar electricidade de forma eficiente. O armazenamento permite compensar horas de menor produção, estabilizar a rede e garantir a segurança do abastecimento. As baterias de iões de lítio são actualmente a tecnologia dominante, mas o futuro passará por soluções de maior duração e capacidade, incluindo baterias de fluxo, hidrogénio verde, armazenamento térmico e outros sistemas híbridos.

Estas tecnologias serão indispensáveis para criar sistemas energéticos flexíveis, dado que sem armazenamento eficiente, a expansão renovável enfrenta limitações naturais. Pelo contrário, com armazenamento robusto, as energias renováveis podem assumir um papel estratégico na economia.

Figura 2 –  Expansão Anual da Capacidade de Armazenamento de Energia, por Região

Fonte:  BloombergNEF.

Face ao exposto, importa referir esta corrida energética não consiste numa competição entre as diferentes fontes, mas sim num processo de integração que permitirá criar um sistema energético mais limpo, resiliente e acessível. A título de exemplo, se por um lado as renováveis oferecem energia barata e abundante, a energia nuclear pode garantir maior estabilidade, ao passo que o armazenamento assegura uma maior flexibilidade e continuidade de abastecimento.

Para os investidores, este cenário pode representar diversas oportunidades. A necessidade de investimento em áreas como as infraestruturas energéticas, as redes eléctricas, tecnologias de armazenamento ou inovação nuclear cria um vasto conjunto de subsectores com potencial de crescimento significativo.

O Banco Invest disponibiliza soluções de investimento temático e sectorial que permitem captar de forma estruturada e diversificada o potencial de algumas áreas associadas a este tema, nomeadamente, através de ETFs e Fundos de Investimento, permitindo integrar na carteira algumas destas tendências.

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