Já tivemos a "mania das tulipas", o colapso das dotcom e agora estamos no meio de um boom da inteligência artificial.
Embora cada boom e bust tenha a sua própria história, eles frequentemente seguem um padrão surpreendentemente familiar.
O padrão que se repete há séculos
A história está cheia de exemplos. No século XVII, a tulip mania holandesa fez o preço de bulbos raros de tulipa disparar até níveis absurdos e depois desabar.
Nos anos 1990 e início dos 2000, a bolha das empresas dotcom atraiu investidores para empresas de internet que, em muitos casos, não geravam lucro. Quando a realidade bateu, os preços afundaram e muitas empresas desapareceram.
Hoje, o motor da euforia é a inteligência artificial. A lógica, porém, é a mesma: uma novidade genuinamente promissora gera optimismo, os preços sobem, mais investidores entram (medo de ficar de fora), as expectativas descolam-se da realidade e, em algum momento, o ciclo inverte-se.
Porque é que os booms acontecem?
Quase sempre começa com algo real: uma tecnologia nova, juros baixos ou um sector em expansão. Os preços sobem, o sucesso atrai mais investidores (comportamento de manada) e, aos poucos, a crença de que “desta vez é diferente” se espalha. As pessoas param de olhar o valor da empresa e passam a olhar só “até onde o preço pode ir”.
Porque é que os busts seguem?
Basta uma decepção, subida de juros, crescimento mais fraco, dúvidas sobre as valorizações para a confiança virar medo. A mesma manada que empurrou os preços para cima agora vende. O ciclo alimenta-se sozinho, só que na direção oposta.
A Vanguard lembra que isso não vai desaparecer. A natureza humana (medo e ganância) continua a mesma, os mercados são cíclicos e sempre surgem novas histórias convincentes. Ontem foram as ferrovias e a internet; hoje é a IA; amanhã será outra coisa.
O que fazer na prática
O desafio não é prever o fim do boom ou o início do crash porque quase ninguém consegue isso de forma consistente. O que funciona é seguir princípios simples:
Durante o boom:
➡️ Evite perseguir retornos elevados;
➡️ Mantenha o plano alinhado com os seus objectivos, horizonte e tolerância a risco;
➡️ Continue diversificado (sectores, regiões e classes de activos).
Durante o bust:
➡️ Fique investido;
➡️ Continue com aquisições regularmente, ou seja, compre nos bons e nos maus momentos;
➡️ Foque no longo prazo, historicamente os mercados recuperam-se.
Desde 1970, o índice MSCI World passou por oito bear markets (quedas > 20%). Em todos eles o índice recuperou e seguiu subindo. Os períodos de alta (bull markets) tendem a durar mais e a gerar ganhos maiores do que as perdas das baixas.
A mensagem final
Em vez de tentar acertar o timing do próximo ciclo, o investidor tem uma maior probabilidade de sucesso mantendo a diversificação, disciplina e um horizonte longo.
Consulte artigo de James Norton da Vanguard aqui.
Fonte: Vanguard