Algo estranho aconteceu após o início da guerra com o Irão: pela primeira vez em mais de um ano, os investidores de retalho não aproveitaram as quedas das acções para comprar.
Na semana entre 5 a 11 de Março, as entradas de fundos pelos investidores de retalho desceram para $6,7 mil milhões, abaixo da média de 12 meses de $7,1 mil milhões por semana. Os investidores de retalho continuaram a preferir ETFs (+$6,3 mil milhões) a acções individuais (+$0,4 mil milhões).
Ao contrário do Dia da Libertação, quando a breve, porém brutal queda do índice S&P 500, provocou uma onda recorde de compras por parte dos investidores de retalho, segundo o último relatório do JPMorgan Retail Radar, os investidores de retalho agora revelam "sinais persistentes de fraqueza" após o início do conflito com o Irão.
As compras semanais desaceleraram em cerca de 30%, depois de desafiarem os padrões sazonais e fazerem de Fevereiro o seu terceiro maior mês de vendas da história.
Os investidores de retalho optaram por reduzir as suas entradas semanais em ETFs em 22%, interrompendo uma sequência de três meses de suporte constante.
Os investidores de retalho também reduziram as compras de acções individuais, diminuindo ainda mais os fluxos já moderados observados nas últimas 2 a 3 semanas.
De facto, Segunda-feira foi o dia com maior volume líquido de vendas de acções individuais num mês, antes que as compras fossem retomadas a um ritmo positivo, embora abaixo da média do ano, na Terça e Quarta-feira.
Apesar da correção, os investidores de retalho continuaram a favorecer acções de empresas de Inteligência Artificial, financiando a operação com a venda de acções de outros sectores.
Em consonância com essa rotação, os investidores de retalho compraram acções de empresas de tecnologia e de bens de consumo nesta semana, incluindo Nvidia, Broadcom, Microsoft, Oracle, Tesla e Palantir.
Segundo o JP Morgan, o comportamento assemelha-se ao que vimos em 2022, durante o conflito entre Ucrânia e Rússia: algumas semanas iniciais de compra de acções e ETFs do sector de energia, após uma breve queda, e depois seguida pelo retorno às compras líquidas.
Fonte: JP Morgan