Há uma ideia que continua profundamente enraizada: "Se o dinheiro estiver na conta à ordem, está seguro." E é verdade. Está seguro. Mas estará a crescer? Não. Mais importante ainda: estará a manter o seu valor? Também não.
Na realidade, deixar grandes montantes parados numa conta à ordem pode ser uma das decisões financeiras mais dispendiosas a longo prazo. Não porque o dinheiro desapareça, mas porque perde poder de compra todos os dias, silenciosamente.
O inimigo invisível chama-se inflação!
Imagine que hoje tem 10.000 euros na conta.
Daqui a um ano, muito provavelmente continuará a ver os mesmos 10.000 euros no saldo. À primeira vista, nada mudou. O problema é que o mundo à sua volta mudou.
Se os preços dos bens e serviços aumentarem 3% durante esse período, o seu dinheiro passa a comprar menos do que comprava anteriormente. Os 10.000 euros permanecem os mesmos em termos nominais, mas valem menos em termos reais.
É a inflação a trabalhar em silêncio.
Ao contrário de uma despesa que vemos sair da conta ou de uma perda num investimento, a inflação não envia notificações nem gera alertas. Apenas reduz gradualmente a capacidade do nosso património acompanhar o aumento do custo de vida.
Existe uma falsa sensação de segurança.
Muitas pessoas confundem ausência de risco com ausência de perda. Mas são conceitos diferentes.
Quando o capital permanece numa conta à ordem sem remuneração, o risco de mercado é praticamente inexistente. No entanto, existe um risco muito real: a erosão do poder de compra.
É uma perda lenta, discreta e, precisamente por isso, frequentemente ignorada.
Ao optar por não investir, está a escolher que o seu património não acompanhe o crescimento potencial dos mercados, dos ativos financeiros ou das taxas de remuneração disponíveis em produtos de poupança.
Ao longo dos anos, essa diferença torna-se significativa.
Por exemplo, um capital de 20.000 euros que permaneça durante uma década numa conta sem remuneração pode perder uma parte importante do seu valor real. Em contrapartida, o mesmo montante aplicado numa solução adequada ao perfil de risco do investidor pode beneficiar dos efeitos da rentabilidade acumulada e da capitalização dos ganhos.
O tempo é um dos maiores aliados do investimento. Mas apenas para quem o coloca a trabalhar.
Investir não significa correr riscos desnecessários. Quando se fala em investimento, é comum surgirem imagens de volatilidade extrema, especulação ou perdas elevadas.
No entanto, o universo das soluções de investimento é muito mais vasto.
Existem opções para diferentes perfis, horizontes temporais e objetivos:
- Depósitos a prazo
- Fundos de investimento conservadores;
- Obrigações;
Soluções equilibradas ou dinâmicas para horizontes mais longos.
O objetivo não é procurar risco pelo risco. É procurar uma estratégia que permita ao património preservar e aumentar o seu valor ao longo do tempo.
Liquidez é importante. Excesso de liquidez pode não ser.
Naturalmente, todos devemos manter uma reserva para imprevistos.
Ter um fundo de emergência acessível é uma decisão prudente e financeiramente responsável.
No entanto, existe uma diferença entre ter liquidez suficiente e manter a totalidade do património permanentemente estacionada numa conta à ordem.
O dinheiro destinado a despesas correntes deve estar disponível. Já o capital sem utilização prevista para os próximos anos merece uma reflexão diferente.
A questão a colocar é simples:
Este dinheiro está a trabalhar para mim ou estou apenas a vê-lo perder valor lentamente?
O verdadeiro risco pode ser não fazer nada! Capital parado não é capital protegido.
Contacte o seu gestor de conta, para que, de acordo com o seu perfil de investidor, possam ser apresentadas soluções.