🚨 Os investidores preparam-se para um dos períodos mais intensos do ano.
Entre os dias 10 e 18 de Setembro, cinco eventos, com potencial para influenciar acções, obrigações, divisas e criptomoedas, irão concentrar a atenção dos mercados globais.
A combinação de dados sobre inflação, decisões de política monetária e desenvolvimentos regulatórios poderá gerar uma forte volatilidade.
1. IPP: o primeiro teste à inflação
No dia 10 de Setembro será divulgado o Índice de Preços no Produtor, um indicador que mede a evolução dos preços pagos pelos produtores de bens e serviços.
Normalmente este indicador recebe menos atenção do que o índice de preços ao consumidor mas é frequentemente visto como um indicador antecipado das pressões inflacionistas. Se os custos de produção continuarem a aumentar, existe a possibilidade de essas subidas serem repercutidas nos consumidores nos meses seguintes.
Uma leitura acima do esperado poderá reforçar a percepção de que a inflação continua resistente, aumentando a possibilidade de uma postura mais restritiva por parte da Reserva Federal dos Estados Unidos.
2. Inflação: o dado que pode definir a próxima decisão da Fed
Apenas um dia depois, será divulgado o Índice de Preços no Consumidor, considerado um dos indicadores económicos mais importantes para os mercados financeiros.
A inflação mede a evolução dos preços de bens e serviços pagos pelas famílias e constitui uma referência fundamental para a política monetária norte-americana.
Se os números revelarem um reacelerar da inflação, os investidores poderão começar a descontar uma política monetária mais agressiva. Pelo contrário, uma desaceleração dos preços poderá aliviar a pressão sobre a Fed e apoiar os activos de risco.
3. CLARITY Act: um momento decisivo para as criptomoedas
No dia 15 de setembro, o Senado norte-americano deverá realizar uma votação processual relacionada com o CLARITY Act, uma proposta legislativa que procura criar maior clareza regulatória para o sector dos ativos digitais.
Para a indústria cripto, este poderá ser um dos momentos mais relevantes do ano. Investidores e empresas aguardam há muito tempo um enquadramento regulatório mais claro nos Estados Unidos.
Uma evolução positiva poderá reforçar a confiança no mercado das criptomoedas, enquanto atrasos ou obstáculos legislativos poderão gerar alguma pressão negativa sobre o sector.
4. A decisão da Fed: o evento mais aguardado
A 16 de Setembro chega aquele que muitos consideram ser o principal momento destes dez dias: a decisão da Reserva Federal dos Estados Unidos sobre as taxas de juro.
Depois de conhecer os resultados da inflação, a Fed terá de avaliar se está suficientemente controlada ou se serão necessárias novas medidas para evitar o seu ressurgimento.
Além da decisão em si, os mercados estarão atentos a três elementos fundamentais:
O comunicado oficial da Fed;
A conferência de imprensa do presidente do banco central;
As novas projecções económicas e de taxas de juro.
Qualquer alteração no tom da comunicação poderá provocar movimentos significativos nos mercados accionistas, nas obrigações e no dólar.
5. Banco do Japão: uma ameaça inesperada à estabilidade
O período termina a 18 de Setembro com a decisão de política monetária do Banco do Japão.
Apesar de muitas vezes receber menos atenção do que a Fed, o banco central japonês tem desempenhado um papel crucial na liquidez global. Caso adopte uma postura mais agressiva no combate à inflação, o impacto poderá ser sentido muito além das fronteiras japonesas.
Uma apreciação acentuada do iene face ao dólar poderia desencadear ajustamentos de posições financeiras internacionais e aumentar a volatilidade nos mercados globais.
Uma sequência explosiva para os investidores
Em apenas dez dias, os investidores terão de digerir novos dados sobre inflação, possíveis alterações nas taxas de juro das maiores economias do mundo e desenvolvimentos regulatórios importantes para o mercado das criptomoedas.
Independentemente do rumo dos mercados financeiros, uma conclusão parece evidente: a volatilidade deverá aumentar significativamente.
Fonte: Bloomberg