Commodities e o seu Papel nos Mercados

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Quando se fala em investimento, as acções e as obrigações tendem a ser as classes de activos mais conhecidas. No entanto, outros activos desempenham igualmente um papel central na economia global e influenciam diariamente os mercados financeiros, como é o caso das commodities. Do petróleo utilizado nos transportes, ao cobre presente em equipamentos tecnológicos, passando pelo ouro, pelo trigo ou pelo café, as matérias-primas encontram-se presentes em inúmeros bens e serviços que utilizamos diariamente.

De um modo geral, esta classe de activos pode ser agrupada em quatro grandes categorias, nomeadamente, as commodities energéticas (e.g., petróleo, gás natural ou carvão), os metais industriais (e.g., cobre, alumínio ou níquel), os metais preciosos (e.g., ouro ou prata) e as matérias-primas agrícolas (e.g., trigo, soja ou café).

Para os investidores, as commodities são particularmente relevantes porque constituem um dos principais motores da economia mundial. Os seus preços reflectem o equilíbrio entre a oferta e a procura e podem ser influenciados por diversos factores, como o crescimento económico, conflitos geopolíticos, alterações climáticas ou decisões governamentais.

Um exemplo particularmente relevante é o petróleo, atendendo a que quando o seu preço sobe de forma significativa, os custos de transporte e produção tendem a aumentar, pressionando a inflação. Pelo contrário, quando os preços das matérias-primas descem, esse efeito pode contribuir para uma desaceleração das pressões inflacionistas. Por esta razão, os mercados de commodities são acompanhados de perto por investidores, economistas e bancos centrais.

Além do referido, determinadas matérias-primas são frequentemente encaradas como indicadores da actividade económica. O cobre, por exemplo, é muitas vezes referido como um "barómetro" da economia global, dado que a sua utilização se encontra intimamente ligada ao investimento em infraestruturas, indústria e tecnologia. Quando a procura por cobre aumenta, tende a sinalizar uma economia em expansão, sendo que quando diminui, pode reflectir uma desaceleração da actividade económica.

Não menos relevante, as commodities podem ainda desempenhar um papel importante na diversificação de uma carteira de investimentos. Historicamente, o comportamento desta classe de activos nem sempre acompanha a evolução das acções ou obrigações, podendo contribuir para uma maior diversificação da carteira. Em determinados períodos, especialmente quando a inflação ou as tensões geopolíticas crescem, algumas matérias-primas tendem a apresentar desempenhos superiores aos de outros activos.

Figura 1 –  Desempenho Anual das Classes de Activos (2006 – 2025)

Fonte: Banco Invest, Bloomberg [Acções: MSCI Daily TR Net World Equity (Eur); Obrigações: Barclays Capital Global Aggregate Bond Index (Eur); Commodities: S&P GSCI Official Close Index TR (Eur); Imobiliário: FTSE EPRA/NAREIT Developed Real Estate Index (Eur); e Monetário: Euribor 1 Mês].

Contudo, importa recordar que se trata de uma classe de activos frequentemente associada a níveis elevados de volatilidade. Alterações inesperadas na procura, problemas de abastecimento ou eventos geopolíticos podem provocar oscilações de preço significativas num curto espaço de tempo. Por essa razão, a exposição a commodities deve normalmente ser enquadrada numa estratégia de investimento diversificada e alinhada com os objectivos de cada investidor.

Em última análise, as commodities são muito mais do que simples matérias-primas. O seu comportamento influencia a inflação, o crescimento económico e os mercados financeiros, tornando-as uma componente relevante para compreender a evolução da economia global. Para os investidores, acompanhar esta classe de activos permite obter uma visão mais abrangente dos mercados e identificar oportunidades de diversificação que podem contribuir para uma carteira mais equilibrada e resiliente ao longo do tempo.

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