O mercado já sabe que existe uma crise de dívida quando ela tem um acrónimo próprio.
Desta vez, não se trata de um grupo de países em sérios apuros, os famosos PIIGS: Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha. Em vez disso, é a França que está sendo apontada com FROGS, que significa French Oversized Government and Social Security. Este termo foi proposto por dois economistas franceses ligados ao Rexecode.
Ao contrário da crise grega de 2010, o problema francês não seria uma explosão imediata, mas sim, um desgaste gradual que enfraquece a economia francesa e reduz a margem de manobra do governo.
O orçamento de França para 2027, apresentado na semana passada, incluiu cortes nas despesas e medidas de poupança politicamente controversas, destinadas a reduzir o défice do país. No entanto, os investidores continuam a mostrar-se cépticos quanto à capacidade do governo para controlar o défice antes a Eleição Presidencial que decorre entre 18 de Abril e 2 de Maio de 2027.
França está a tornar-se o principal foco de preocupação dos investidores devido a três factores:
❌ Défices orçamentais persistentemente elevados (>5%);
❌ Dívida pública próxima de 120% do PIB;
❌ Incapacidade política de implementar reformas estruturais duradouras.
Por conseguinte, o prémio de risco das obrigações soberanas franceses está no seu nível mais elevado em mais de uma década porque os investidores estão cada vez menos dispostos a dar o benefício da dúvida a governos sobrecarregados de dívida. E, ao contrário dos Estados Unidos, o crescimento nominal do PIB na França está encolhendo e os impostos e despesas estão à frente da maioria dos outros países ricos.
Nada disto é particularmente novo mas as preocupações com a ascensão da extrema-direita e da extrema-esquerda nas sondagens, juntamente com a incapacidade de Macron de fazer com que suas reformas económicas se consolidem, colocam a França no centro da crise das obrigações soberanas. A eleição presidencial do próximo ano, na qual Marine Le Pen pode muito bem emergir como vencedora poderá ser o catalisador para um colapso dos mercados.
Fonte: Bloomberg