O debasement trade foi o consenso de Wall Street no início deste ano, com os investidores apostarem num dólar mais fraco, ouro em alta e a subida dos preços dos commodities.
No entanto, como acontece sempre, quando todos estão de um lado, o movimento inesperado tende a vir do outro, segundo Bob Farrell.
When all the experts and forecasts agree, something else will happen.
Bob Farrell
A posição curta mais concorrida em Wall Street agora não é a de tecnologia, nem é o índice S&P 500... é o dólar norte-americano.
Os especuladores acumularam oito semanas consecutivas de vendas em dólares norte-americanos, desde o início do ano, e os gestores de activos mudaram para uma posição líquida de venda em dólares, pela primeira vez desde meados de Outubro, alinhando-se com o resto do mercado.

O que correu mal?
A tese da depreciação do dólar pressupunha o seguinte:
✅ Reserva Federal dos EUA cortaria as taxas de juro;
✅ Inflação nos EUA desacelerava;
✅ O euro, o iene e as moedas de mercados emergentes apreciavam-se com a retoma do crescimento global.
Contudo, nada disso aconteceu.
Em Abril, a inflação subiu 3,8% atingindo o maior nível desde Maio de 2023 e o índice de Preços ao Produtor (IPP) acelerou para 6,0% em relação ao ano anterior, o maior aumento desde 2022. O IPP core, que exclui os alimentos e energia, subiu 5,2%.
Os investidores já descartaram cortes nas taxas de juros pela Fed este ano e a probabilidade de um aumento das taxas de juro no final do ano voltou a subir para 41,9%, segundo os futuros da Fed Funds.
A posição curta em dólares precisava de duas coisas: inflação em queda e cortes no preço do Fed mas nenhum destes vai acontecer.
Inflação supera 4% em Maio
O índice de preços ao consumidor nos EUA, relativo ao mês de Maio, será divulgado no dia 10 de Junho. Os economistas esperam um aceleramento para 4,2% em Maio, face a 3,8% no mês anterior.
Nos últimos 100 anos, quando a inflação supera os 4%, o índice S&P 500 desvaloriza 3,5% em média nos próximos 3 meses e 6,6% nos próximos 6 meses.

Reserva Federal cada vez mais Hawkish
A confirmação de Kevin Warsh, como presidente da Fed no dia 13 de Maio, consolidou a mudança de regime e a ironia merece ser analisada. Trump escolheu Warsh esperando taxas de juro mais baixas e o próprio Warsh afirmou que haveria espaço para descer, uma postura mais dovish do que o mercado antecipava. No entanto, os dados macroeconómicos actuais provavelmente não permitirão cortar as taxas de juro.
Conclusão
A apreciação do dólar está apenas começando a ganhar força agora, com o índice DXY superando os $100 pela primeira vez em 2 meses.

O sentimento dos traders é agora mais bullish desde Março de 2025.
Fonte: Bloomberg, BofA, Real Investment Advice