⏰ Começou a contagem decrescente... para as eleições intercalares que serão realizadas no dia 3 de Novembro de 2026.
As eleições intercalares norte-americanas, conhecidas como midterms, têm historicamente representado um enorme desafio para o partido que ocupa a Casa Branca.
Numa eleição intercalar, todos os 435 membros da Câmara dos Representantes dos EUA estão em disputa. Os senadores são eleitos por um mandato de seis anos, sendo que um terço deles se recandidata a cada dois anos. Este ano, 33 senadores concluirão o seu mandato de seis anos; somando a isso duas eleições especiais para preencher vagas por ter havido senadores a ir para o Governo, teremos um total de 35 eleições para o Senado.
Apesar de os Republicanos controlarem actualmente a presidência, a Câmara dos Representantes e o Senado, as eleições de Novembro poderão alterar significativamente este equilíbrio de poder em Washington.
A história política norte-americana mostra um padrão consistente, o partido do presidente tende a perder terreno nas eleições intercalares. Este fenómeno repete-se há décadas e raramente surgem excepções.
Segundo os dados analisados pelo projecto The American Presidency Project e compilados pela Statista, apenas dois presidentes da era moderna conseguiram evitar perdas significativas em ambas as câmaras do Congresso.
Um desses casos foi Bill Clinton, durante o seu segundo mandato, quando os Democratas conseguiram limitar os danos e até registar alguns ganhos. O outro exemplo foi George W. Bush, que, após os atentados de 11 de Setembro de 2001, beneficiou de uma vaga de apoio nacional que permitiu aos Republicanos reforçar a sua posição política nas eleições intercalares de 2002.
Trump e Biden sofreram o mesmo destino
Donald Trump conhece bem esta realidade. Nas eleições intercalares de 2018, durante o seu primeiro mandato, os Republicanos perderam 41 lugares na Câmara dos Representantes, uma das maiores derrotas para um partido presidencial desde os anos 60. Embora tenham conseguido manter e até reforçar ligeiramente a sua posição no Senado, perderam o controlo da Câmara.
Também Joe Biden enfrentou dificuldades semelhantes em 2022. Embora os Democratas tenham sofrido perdas mais reduzidas, acabaram igualmente por perder o controlo da Câmara dos Representantes, mantendo, contudo, a maioria no Senado.
O mesmo padrão verificou-se com outros presidentes recentes. Barack Obama perdeu a Câmara em 2010 e o Senado em 2014. Bill Clinton viu os Democratas perderem ambas as câmaras em 1994, enquanto George W. Bush, depois do sucesso de 2002, sofreu uma derrota expressiva em 2006, em plena polémica sobre a guerra do Iraque e a resposta ao furacão Katrina.
Porque é que as eleições intercalares são tão difíceis?
Apesar da consistência do fenómeno, os especialistas continuam divididos quanto às suas causas exactas. Algumas teorias apontam para o desgaste natural do poder, os apoiantes do presidente tendem a demonstrar menos mobilização eleitoral enquanto os opositores encontram mais motivos para votar.
Outros factores frequentemente referidos incluem os níveis de aprovação presidencial e o desempenho da economia. Tradicionalmente, presidentes populares e economias fortes ajudam a reduzir perdas eleitorais embora nem sempre sejam suficientes para contrariar a tendência histórica.
Novembro poderá voltar a confirmar a regra
Uma análise recente do JPMorgan sugere que, embora a recuperação da Câmara pelos Democratas seja amplamente antecipada, o resultado do Senado continua demasiado equilibrado para ser ignorado.
Desde 1934, o partido do presidente perdeu, em média, cerca de 27 lugares na Câmara dos Representantes e três no Senado durante as eleições intercalares.
Aplicando esta tendência à actual composição do Congresso, o cenário mais provável seria uma Câmara controlada pelos Democratas e um Senado que permaneceria nas mãos dos Republicanos.
É precisamente esta possibilidade de Congresso dividido que está a captar a atenção dos analsiats do JPMorgan.
Historicamente, os mercados tendem a reagir positivamente quando nenhuma força política consegue impor totalmente a sua agenda legislativa.
Os Democratas necessitam de ganhar quatro lugares para conquistarem a maioria.
Segundo a análise do JPMorgan, seis Estados poderão determinar o resultado final:
➡️ Carolina do Norte
➡️ Maine
➡️ Alasca
➡️ Ohio
➡️ Iowa
➡️ Texas
O JPMorgan desenvolveu um conjunto de estratégias específicas para diferentes cenários eleitorais.
Se os Democratas conquistarem as duas câmaras, o banco acredita que poderão beneficiar:
✅ Seguradoras de saúde e hospitais ligados ao Affordable Care Act (ACA);
✅ Empresas focadas no consumo das famílias de rendimentos mais baixos;
✅ Sectores que beneficiem de programas de apoio social.
Por outro lado, algumas áreas poderão enfrentar maior pressão:
✅ Defesa e indústria militar;
✅ Empresas ligadas à exploração energética;
✅ Plataformas e empresas relacionadas com activos digitais e criptomoedas.
Se os Republicanos mantiverem o controlo total
O cenário inverte-se.
Financiamento eleitoral revela uma vantagem expressiva dos Democratas
Os candidatos democratas ao Senado arrecadaram cerca de 585 milhões de dólares, comparados com 341 milhões dos Republicanos.
Na Câmara dos Representantes, a diferença também é significativa:
➡️ Democratas: 1,01 mil milhões de dólares;
➡️ Republicanos: 817 milhões de dólares.
Conclusão
Segundo JPMorgan, governos divididos coincidiram com melhores retornos do S&P 500 desde 1950, aproximadamente 20% ao longo de um mandato de dois anos no Congresso sob impasse político, contra 18% sob controle de um único partido.
No caso extremo de uma vitória democrata, o veto da Casa Branca e o obstrucionismo no Senado ainda impedem o Congresso de aprovar qualquer legislação importante em matéria tributária, regulatória ou de saúde.
Fonte: JPMorgan, Statista