O impacto a longo prazo da inclusão de commodities num portfólio 60/40 é modesto mas com a dinâmica da inflação em mudança e a procura sustentada dos bancos centrais por ouro, esta classe de activos está prestes a retomar o seu papel como diversificador eficaz.
Os resultados agregados desde 1987, revelam que adicionar um índice amplo de commodities, energia ou metais preciosos, com uma ponderação de 5% reduz ligeiramente a volatilidade, com um custo modesto para os retornos e, portanto, um perfil ajustado ao risco praticamente inalterado. O portfólio com melhor desempenho, por uma pequena margem, aloca 10% a commodities amplas, financiado igualmente por acções e obrigações.
O objectivo de incluir uma classe de activos, além de acções e obrigações tradicionais, num portfólio é para diversificar o risco.
Para desempenhar eficazmente esse papel, esse activo não pode ter uma correlação com diferentes condições de mercado e fases do ciclo. É isso o que as commodities, como activos que não geram rendimento, precisam de fazer para justificar a sua inclusão.
Contudo, a correlação das commodities com a carteira tradicional 60/40 varia ao longo do tempo.
Uma correlação negativa e pressões inflacionárias significativas fizeram das commodities uma protecção eficaz entre 1987 e 1992.
O período de 1993 a 2007 foi relativamente misto, com correlações flutuando antes de uma mudança decisiva após a crise financeira global, quando as commodities, em geral, começaram a impactar negativamente o portfólio 60/40.
Após mais de uma década de vendas líquidas, os bancos centrais começaram a reconhecer o valor de porto seguro do ouro e tornaram-se compradores líquidos em 2010. Essa tendência acelerou em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia e o subsequente uso do dólar como ferramenta apolítica, o que ressaltou os riscos de manter grandes quantidades de dólares em reservas.
Essa atractividade dificilmente desaparecerá em breve, tanto do ponto de vista estratégico quanto estrutural. A incerteza geopolítica continua a dominar os mercados, enquanto para muitos bancos centrais de mercados emergentes, como a China, o ouro ainda representa uma parcela relativamente pequena das reservas. Essas instituições visam aumentar suas reservas para níveis mais próximos da média global.

A Reserva Federal EUA agora encara os choques de commodities, mais como uma preocupação inflacionária do que como um risco para o crescimento económica, uma perspectiva reforçada pela transição dos EUA de importador líquido para exportador de commodities.
Esse cenário assemelha-se mais ao da década de 1980 do que ao da década de 2010, sugerindo que vale a pena manter a exposição a commodities, especialmente porque o contexto económico resiliente e a crescente procura pela energia dos modelos de IA sustentam a força contínua do sector.
Fonte: Bloomberg