A inflação na Alemanha registou uma ligeira aceleração em Agosto, reforçando a convicção dos mercados de que o Banco Central Europeu deverá avançar com uma nova subida das taxas de juro na próxima reunião.
O principal motor desta subida continua a ser a energia, numa altura em que os preços do petróleo permanecem elevados devido às tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Segundo a primeira estimativa divulgada para Agosto, a inflação alemã subiu para 2,9% em termos homólogos, face aos 2,8% registados em Julho. Apesar do aumento, os indicadores subjacentes continuam a sugerir que as pressões inflacionistas mais generalizadas permanecem relativamente controladas.
A inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, manteve-se nos 2,4%, enquanto a inflação dos serviços desacelerou pelo segundo mês consecutivo.
Energia continua a ditar as regras
O aumento da inflação resulta quase exclusivamente do efeito dos preços da energia. Atualmente, é sobretudo o petróleo que está a pressionar os preços em alta, enquanto o gás natural e a electricidade continuam abaixo dos níveis observados há um ano.
A ausência de efeitos secundários significativos sobre o resto da economia é um sinal relevante. Empresas e consumidores mostram-se muito menos dispostos a aceitar aumentos de preços do que durante a crise inflacionista de 2022, reduzindo a capacidade das empresas de repercutirem integralmente os seus custos nos consumidores.

Inflação acima de 3% pode durar mais tempo
As perspetivas para os próximos meses permanecem altamente dependentes da evolução do conflito no Médio Oriente e do comportamento do mercado petrolífero. Caso os preços da energia se mantenham elevados, a inflação poderá ultrapassar a barreira dos 3% e permanecer acima desse nível até ao final do ano.
Além disso, os baixos níveis de armazenamento de gás na Europa poderão traduzir-se em preços mais elevados durante o inverno. A combinação de custos energéticos mais altos, aumento dos custos de transporte e impactos climáticos sobre os preços dos alimentos poderá atrasar o regresso da inflação ao objetivo de 2%, possivelmente até ao final de 2027.
BCE prepara nova subida de juros
Este cenário aumenta a probabilidade para 96,7% de uma nova subida das taxas de juro por parte do BCE já no dia 10 de Setembro. Apesar de a inflação subjacente não indicar um sobreaquecimento da economia, os responsáveis monetários poderão optar por uma acção preventiva para proteger a credibilidade da instituição e evitar efeitos de segunda ordem provocados pelo choque energético.
No entanto, uma subida adicional não significa necessariamente o início de um ciclo agressivo de aperto monetário. A economia da Zona Euro tem demonstrado resiliência mas está longe de apresentar sinais claros de sobreaquecimento. Com as finanças públicas sob pressão e as yields das obrigações em níveis elevados, o BCE terá de equilibrar cuidadosamente o combate à inflação com o risco de provocar uma desaceleração económica mais profunda.
Fonte: Bloomberg