O conflito no Médio Oriente fez abalar os mercados financeiros mas 126 anos de história de 35 mercados financeiros, provam que o maior perigo para os investidores não é a guerra, mas vender em pânico o activo que mais riqueza gera.
Estas são as conclusões do "Global Investment Returns Yearbook 2026" do UBS:
Acções são o melhor activo para quem investe a longo prazo
Um investimento de 1 dólar feito em acções norte-americanas em 1900, teria crescido para 124.854 dólares até ao final de 2025, em termos nominais, a uma taxa anual de 9,8%.
As obrigações e os Bilhetes do Tesouro ficaram muito para trás, com rendibilidades anuais de 4,6% e 3,4%, respectivamente e a inflação cresceu apenas 2,9% ao ano, o que significa que qualquer investidor em acções, bateu em larga margem o aumento do custo de vida neste período.
Em termos reais, ou seja, descontada a inflação, as acções norte-americanas geraram um retorno médio anual de 6,6%, contra apenas 1,6% para as obrigações e 0,5% para os bilhetes do tesouro.

Mercados Desenvolvidos superam os Emergentes a longo prazo
Os mercados emergentes tendem a ser associados ao crescimento, e, portanto, são frequentemente percebidos como oferecendo maiores recompensas de investimento. No entanto, o retorno anualizado do investimento em mercados emergentes durante o período foi de 6,9% em comparação com 8,5% dos mercados desenvolvidos, embora de 1960 a 2025, seu retorno anualizado tenha sido de 10,9% contra 9,6% dos mercados desenvolvidos.
Inflação tem um impacto importante nos retornos de longo prazo
Mesmo num dos países com menor inflação histórica do mundo, os EUA, com uma taxa média de 2,9% ao ano desde 1900, 1 dólar em 1900 tem hoje o mesmo poder de compra que 38 dólares.
Embora seja frequentemente afirmado que as acções são uma protecção contra a inflação, tanto para acções quanto para obrigações, os retornos reais tendem a ser maiores quando o crescimento económico é maior e a inflação é menor. Esta é uma consideração importante, pois os investidores avaliam os efeitos potenciais de futuros regimes de inflação sobre o desempenho dos activos.

Relação entre o ouro e a inflação afinal é fraca
O ouro é amplamente visto como um activo de protecção para tempos de guerra e incerteza mas a relação entre o ouro e a inflação é fraca. Dos 28 anos em que a inflação ultrapassou 3%, os retornos do ouro foram negativos em 13 deles.
Desde 1900, o preço real do ouro em dólares subiu apenas 5,2 vezes, um retorno anualizado de 1,3% ao ano, muito abaixo dos 6,6% reais das acções americanas no mesmo período.
No período pós-Bretton Woods (após 1971), o desempenho do ouro melhorou, chegando aos 4,7% ao ano nos EUA, 5,8% no Reino Unido e 4,3% na Suíça.
Risco Económico revelou-se mais determinante do que Risco Geopolítico
Ao longo dos 126 anos estudados, o risco económico revelou-se historicamente mais determinante para os mercados do que o risco geopolítico. Os investidores estariam correctos em ignorar o ruído da geopolítica. 
Diversificação continua a ser valiosa
A diversificação das carteiras está a tornar-se cada vez mais difícil de conseguir em função da maior concentração dos índices em poucas empresas. Ao mesmo tempo, as correlações entre mercados desenvolvidos e emergentes, e entre acções e obrigações, têm aumentado.
Uma carteira com a combinação clássica de 60% em acções e 40% em obrigações, nunca perdeu num ano mais de 50% do seu valor em termos reais ao longo de mais de um século de história enquanto carteiras exclusivamente concentradas em acções ou obrigações perderam, em várias ocasiões, mais de 70% por ano em termos reais.
Quando o risco cambial era protegido, os investidores na grande maioria dos mercados saíram-se melhor investindo globalmente do que no mercado doméstico.
Hedging Cambial reduz Volatilidade
Quando o risco cambial foi coberto, os investidores na grande maioria dos mercados ficaram numa melhor situação ao investir globalmente do que domesticamente.
Investir com estilo pode fazer a diferença
O estudo analisa também o chamado factor investing, ou seja, estratégias que apostam em determinadas características das acções, como o momentum e value. O factor momentum obteve o desempenho mais forte e persistente no longo prazo, gerando um prémio de 7,7% ao ano nos EUA. Porém, em 22% das décadas analisadas, estes prémios de factores foram negativos, salientando claramente que não há estratégia que funcione sempre e em todos os mercados.

A história não repete os seus capítulos à letra conforme a frase de William Shakespeare: “O que passou é prólogo.”
Contudo, a história oferece um mapa para navegar em tempos perigosos e esse mapa, construído com 126 anos de dados e 35 mercados, aponta sempre na mesma direcção: paciência, diversificação e acções.
Consulte o estudo do UBS aqui.
Fonte: UBS