Os investidores em empresas de luxo europeias devem estar a sentir uma forte sensação de déjà vu neste momento.
O ano passado começou de forma promissora, com a expectativa de que a procura por artigos de luxos melhorava, após uma queda de dois anos. Contudo, a recuperação foi interrompida pelas tarifas de Donald Trump.
Este ano, parece assustadoramente semelhante ao ano passado e o presidente dos EUA é, mais uma vez, o principal culpado.
Tudo parecia perfeito para o mercado de luxo no início de 2026. Vários novos directores criativos lançaram produtos inovadores, existiam sinais de recuperação na China e aumentou a procura pelos consumidores norte-americanos. Depois, no início de Março, os EUA e Israel atacaram o Irão e os mercados recuaram fortemente.
Obviamente, a situação financeira dos fabricantes de bens de luxo não está na lista de preocupações mais urgentes em tempos de guerra mas a economia europeia depende fortemente desse sector.
As acções da LVMH-Moët Hennessy Louis Vuitton e da Kering, dona da Gucci, registaram um desempenho muito aquém dos principais índices europeus com desvalorizações de 25,35% e 23,73%, respectivamente.
Esta semana, a LVMH, Kering e Hermès revelaram as suas vendas relativas ao primeiro trimestre:
👜 LVMH:
O maior conglomerado mundial de bens de luxo registou uma subida de 1% nas receitas orgânicas nos primeiros três meses de 2026, abaixo dos 2% de crescimento esperados pelos analistas. Em relação à divisão de Moda e Artigos em Pele, houve uma descida de 2% das receitas orgânicas também aquém da queda esperada de 0,05%. Bom desempenho nos EUA e crescimento forte na Ásia (ex-Japão). A Europa e Japão resistiram graças à procura local mas o conflito no Médio Oriente sofreu uma forte queda em Março.
🛍️Hermès:
A empresa registou um crescimento das vendas de 5,6% a taxas constantes abaixo dos 7,44% previstos pelos analistas, penalizadas pelo impacto do conflito no Médio Oriente. Crescimento de dois dígitos nas Américas (+17%), Japão (+10%), Europa (ex-França, +10%) e Ásia (ex-Japão) +2%. França caiu 3% devido ao menor turismo.
👚 Kering:
As receitas foram abaixo das expectativas, penalizadas sobretudo pelo desempenho da Gucci. As vendas comparáveis da Gucci caíram 8%, aquém da queda de 4,3% estimado pelos analistas devido à divisão de Moda e Artigos em Pele. Estabilização é vista como o primeiro passo de recuperação. As vendas na América do Norte foram muito positivas mas impacto do conflito no Médio Oriente foi muito forte (-11%).
Qual será o Impacto da Guerra do Irão no mercado de bens de luxo em 2026?
O mercado de bens de luxo vale 400 mil milhões de euros
A seguinte tabela resume as previsões dos analistas para o crescimento das receitas nos vários produtos de luxo em 2026, antes do conflito no Médio Oriente.
O Médio Oriente representa 4% das vendas globais do mercado de luxo.
Antes da guerra, os analistas previam um crescimento de 6% das receitas do Médio Oriente para 2026, a maior subida prevista entre as regiões.
Burberry, Rolex, Richemont e Hermes são as empresas com maior exposição às vendas de bens de luxo no Médio Oriente.
Fonte: Bloomberg