Nova Era de Juros Altos? 10 Razões que Explicam Porquê

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Os juros da dívida soberana voltaram a disparar a nível mundial para máximos de várias décadas.

Esta onda de venda de obrigações ocorre num cenário de inflação persistente, preocupações fiscais e crescimento resiliente. Vários factores sugerem que as taxas de juro correm o risco de permanecerem em níveis "mais elevados por mais tempo".

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1) Crescimento Económico Resiliente


Os investidores geralmente recorrem a obrigações quando as perspectivas económicas são sombrias.

Contudo, neste momento, a actividade empresarial global está robusta, com indicadores do sector industrial apontando para o crescimento mais forte nas principais economias.

Esta resiliência alimenta a inflação e o risco de novos aumentos nas taxas de juros, ao mesmo tempo em que dá aos investidores motivos para preferir acções em detrimento de obrigações.

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2) Preços de Commodities Mais Elevados


O conflito entre os Estados Unidos e o Irão gerou, o que o Goldman Sachs classificou como, o maior choque de oferta de petróleo da história.

Os preços do petróleo Brent chegaram a atingir $126,41 por barril, à medida que o conflito restringiu o fluxo de energia pelo estratégico Estreito de Ormuz, elevando os preços da gasolina e do diesel e contribuindo para manter elevadas as pressões gerais sobre os preços.

Simultaneamente, os preços dos alimentos também estão disparando, em parte devido às recentes ondas de calor.

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3) Bancos Centrais Mantêm Postura Hawkish


A Reserva Federal subiu as taxas de juro directoras em Setembro e as autoridades monetárias sinalizaram que novos aumentos podem ser necessários, dado que a inflação está acima da meta do banco central de 2%.

Os bancos centrais da Austrália e do Japão também aumentaram as taxas para conter a inflação enquanto o mercado já precifica aumentos de juros no Reino Unido, no Canadá e na Europa para os próximos meses.

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4) A Corrida pela IA está Aumentando a Procura por Capital


A corrida para construir infraestruturas de IA desencadeou uma onda de endividamento. Empresas emitiram mais de $400 mil milhões em obrigações globalmente para financiar investimentos em tecnologia neste ano. Grande parte desse volume concentrou-se nos EUA forçando tomadores de empréstimos de todos os tipos, incluindo governos e empresas que financiam fusões e aquisições, a competir cada vez mais intensamente pelo capital dos investidores.

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5) Défices Públicos Tornaram-se uma Preocupação Central

Os riscos fiscais estão aumentando com défices orçamentários persistentes e à relutância dos governos em enfrentá-los de facto. A dívida dos EUA ultrapassou recentemente a marca de $40 biliões pela primeira vez.

Espera-se que os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico captem um total de $18 biliões este ano, saturando os mercados com mais oferta e incentivando os investidores a exigir taxas mais altas para adquirir essa dívida.

 

6) Despesas com Defesa



As despesas militares globais estão em níveis recordes, impulsionados pela guerra com o Irão, pelo conflito em curso na Ucrânia e por tendências mais amplas de rearmamento na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no Médio Oriente e na Ásia.

O orçamento de defesa dos EUA atingiu $1 bilião no ano fiscal de 2026, a primeira vez que ultrapassou esse patamar.

O aumento das despesas militares está aprofundando as necessidades de financiamento dos governos, estimulando mais vendas de obrigações e pressionando as yields para cima.

7) O Efeito Japão

O Japão enfrenta um problema com o iene fraco e as autoridades provavelmente estão vendendo obrigações estrangeiras para ajudar a resolvê-lo.

Dados de reservas do Ministério das Finanças revelaram que as reservas de obrigações estrangeiras de Japão caíram num recorde de $87,8 bilhões no final de Agosto em relação ao mês anterior, provavelmente porque o Japão vendeu obrigações do Tesouro para sustentar o iene. Qualquer intervenção adicional aumentará ainda mais a pressão sobre as obrigações globais, embora o desejo de proteger as obrigações do Tesouro seja visto como uma das razões pelas quais os EUA ajudaram o Japão
 a apoiar o iene.



8) Guerras Comerciais


A guerra comercial em curso do presidente Donald Trump está adicionando outra camada de risco inflacionário, já que tarifas mais altas encarecem os bens importados e ameaçam manter as pressões sobre os preços elevadas.

Isso, por sua vez, reforça as expectativas de taxas de juros mais altas por mais tempo e exerce mais pressão ascendente sobre as yields das obrihgações. As disputas comerciais são um sintoma de uma fragmentação geopolítica mais profunda e de uma perspectiva global cada vez mais instável, um ambiente no qual os investidores exigem rendimentos mais elevados para compensar a maior incerteza.


9) Mudança de Propriedade



No caso das obrigações do Tesouro, a base de compradores tem se afastado cada vez mais da Fed e dos bancos centrais estrangeiros e voltou-se para investidores privados nacionais e estrangeiros, como hedge funds.

A Bloomberg Economics calcula que as participações oficiais da Fed e de bancos centrais estrangeiros em obrigações do Tesouro como percentagem do PIB dos EUA caíram cerca de 12 pontos percentuais e 8 pontos, respectivamente, desde 2020.

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10) Eliminação do Excesso de Poupança



E, por último, o excesso global de poupança que ajudou a suprimir os custos de empréstimo durante décadas chegou ao fim.

As três forças que produziram excesso persistente de poupança global desde a crise financeira global, austeridade fiscal, desalavancagem dos EUA e exportações chinesas, estão sendo restringidas pelo proteccionismo, de acordo com a Oxford Economics.

Essas tendências estão surgindo justamente quando os governos e empresas precisam de enormes quantidades de capital, mais uma vez forçando os tomadores de empréstimo a lutarem arduamente pelo dinheiro de investidores e elevando as yields.

Conclusão


O artigo de opinião da Bloomberg defende que a subida das yields das obrigações não é um movimento temporário mas possivelmente uma mudança estrutural no ambiente financeiro global.

Assim explica porque é que muitos gestores acreditam que as taxas de longo prazo vieram para ficar em patamares mais altos do que os observados na década pós-crise de 2008.


Fonte: Bloomberg

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