O Ciclo de Vida dos Activos Financeiros

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Os mercados financeiros funcionam como um sistema que permite aos activos circularem entre quem necessita de financiamento e quem pretende investir. Para compreender este processo, é essencial distinguir dois conceitos fundamentais, os de mercado primário e mercado secundário. Embora estejam intimamente ligados, desempenham funções diferentes e complementares no funcionamento do mercado de capitais.

O mercado primário é o ponto de partida dos activos financeiros. É neste mercado que os títulos são emitidos pela primeira vez e colocados junto dos investidores. Quando uma empresa decide abrir o seu capital em bolsa através de uma oferta pública inicial (“IPO”) ou quando um Estado emite obrigações para financiar as suas despesas, essas operações ocorrem no mercado primário. Nesta fase, o capital investido pelos subscritores é transferido directamente para o emitente, que passa a dispor dos recursos necessários para investir, crescer ou cumprir as suas obrigações financeiras. Para o investidor, a participação no mercado primário representa a aquisição de um activo recém-criado, normalmente a um preço definido no momento da emissão. 

Figura 1 – Evolução dos IPOs nas Principais Bolsas dos EUA

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Fonte: Warrington College of Business, University of Florida.

Após a emissão inicial, os activos passam a ser negociados no mercado secundário, onde os investidores compram e vendem títulos entre si, sem que o emitente volte a receber ou pagar dinheiro por essas transacções. As bolsas de valores são o exemplo mais conhecido de mercados secundários organizados, mas existem alternativas, como o mercado de balcão, onde as negociações ocorrem de forma descentralizada. O mercado secundário permite que os investidores ajustem as suas posições ao longo do tempo, respondendo a novas informações, necessidades de liquidez ou alterações nas condições económicas.

A existência de um mercado secundário líquido e eficiente é essencial para o bom funcionamento do mercado primário. Quando os investidores sabem que poderão vender os seus títulos no futuro com relativa facilidade, estão mais dispostos a participar em novas emissões. Assim, a liquidez do mercado secundário reduz o risco percecionado pelos investidores e contribui para um custo de financiamento mais baixo. Neste sentido, embora o capital só seja efectivamente angariado no mercado primário, é o mercado secundário que torna este último viável.

Os preços formados no mercado secundário resultam da interação contínua entre a oferta e a procura. Expectativas sobre resultados empresariais, taxas de juro, inflação ou risco influenciam as decisões dos investidores e, consequentemente, as cotações. Estes preços desempenham também um papel informativo importante, pois reflectem a avaliação colectiva do valor dos activos num dado momento. No mercado primário, pelo contrário, os preços são definidos antecipadamente, com base em avaliações, condições de mercado e objectivos do emitente, podendo posteriormente divergir de forma significativa no mercado secundário.

Figura 2 –  Ciclo de Vida de um Activo Financeiro

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Fonte:  Banco Invest.

Do ponto de vista do investidor, compreender a distinção entre estes dois mercados ajuda a clarificar o papel de cada decisão de investimento. Participar no mercado primário pode oferecer oportunidades interessantes, mas também envolve incertezas adicionais, uma vez que o histórico de negociação é inexistente ou limitado. No mercado secundário, a maior disponibilidade de informação e a possibilidade de observar o comportamento dos preços ao longo do tempo permitem uma análise mais aprofundada, embora não eliminem o risco.

Em conjunto, o mercado primário e o mercado secundário asseguram a circulação eficiente dos activos financeiros. O primeiro permite a criação de novos instrumentos e o financiamento da economia, ao passo que o segundo garante liquidez, descoberta de preços e a possibilidade de ajustamento contínuo das carteiras dos investidores.

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