Ontem, Kevin Warsh, Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, iniciou um novo ciclo de subida de juros, após ter aumentado a taxa directora em 25 pontos base, fixando-a entre 3,75% e 4,00%, a primeira subida desde Julho de 2023.
A votação foi unânime (12-0) e procurou responder à persistência da inflação, agravada pela subida dos preços da energia e pelo conflito com o Irão.
A Fed considera que a política monetária ainda era relativamente acomodatícia e reiterou o compromisso com a estabilidade de preços.
As projecções para o crescimento e inflação foram revistas em alta e as previsões de crescimento do PIB para 2026 e 2027 também foram ligeiramente revistas em alta para 2,3% e 2,4%, respetivamente, valores superiores ao crescimento potencial estimado da economia norte-americana, situado em torno dos 2%.
Ao mesmo tempo, as previsões para o desemprego foram reduzidas. A taxa de desemprego deverá permanecer em apenas 4,1% durante praticamente todo o horizonte das projecções.
A maioria dos membros do banco central prevê pelo menos mais uma subida em 2026. O dot plot revelou que 16 dos 18 responsáveis considerarem-na provável. Destes, quatro admitem até mais 50 pontos base de aumentos adicionais.
Comparativamente às projecções divulgadas em Junho, trata-se de uma mudança significativa na direcção de uma política monetária mais hawkish, ou seja, mais inclinada a subir as taxas de juro para controlar a inflação.
Kevin Warsh identificou três razões principais para a subida das yields das obrigações EUA:
➡️ A força da economia e do mercado laboral;
➡️ A persistência das pressões inflacionistas;
➡️ O aumento dos riscos geopolíticos.
Ao mesmo tempo, mostrou-se pouco preocupado com o impacto das yields das Treasuries ou com a possibilidade de uma correcção mais profunda nas acções ligadas à inteligência artificial.
Outro aspecto interessante foi a sua preferência por indicadores de inflação observados ao longo de vários meses, evitando reagir excessivamente a dados isolados.
Esta abordagem reforça a percepção de que a nova liderança da Fed poderá ser mais agressiva do que a anterior na luta contra a inflação.
Fonte: Bloomberg