Richard Bernstein do Janus Henderson Investors revelou cinco gráficos que ajudam a separar o ruído das tendências estruturais.
A mensagem central é clara, apesar do entusiasmo em torno de ganhos rápidos e aparentemente fáceis, os dados revelam mudanças profundas na criação de crédito, na inflação, no crescimento global e na liderança dos mercados financeiros. Eis as principais conclusões:
1. Margin Debt está a crescer mais rapidamente do que o crédito às famílias
Um dos sinais clássicos de especulação financeira é o crescimento acelerado do crédito utilizado para investir nos mercados. Actualmente, a chamada margin debt (empréstimos contraídos para comprar acções) está a aumentar mais depressa do que o crédito hipotecário ou o crédito ao consumo.
Segundo a teoria monetarista, períodos de criação anormal de crédito tendem a anteceder valorizações anormais dos activos. Se, tradicionalmente, esta relação era observada na economia real e na inflação, hoje poderá estar a manifestar-se sobretudo nos mercados financeiros.
O fenómeno recorda outros períodos especulativos da história, levantando uma questão provocadora: será que a Fed deveria preocupar-se tanto com as taxas de juro ou antes, com o nível de alavancagem dos investidores?
O que significa para os investidores?
O aumento da margin debt sugere que muitos participantes estão a assumir riscos crescentes para potenciar retornos. Historicamente, este comportamento tende a amplificar, tanto as subidas como as correções de mercado.
2. Os Estados Unidos estão a importar inflação
Durante décadas, a globalização funcionou como um poderoso travão à inflação. A abertura dos mercados aumentou a concorrência internacional, pressionando os preços em baixa e contribuindo para um longo período de desinflação.
Mas essa dinâmica parece estar a inverter-se.
À medida que as cadeias de abastecimento se tornam mais regionais e o comércio internacional enfrenta novas barreiras geopolíticas, os preços das importações estão a subir mais rapidamente do que a inflação subjacente dos Estados Unidos.
Em termos simples, os EUA passaram de importadores de desinflação para importadores de inflação.
O que significa para os investidores?
Esta alteração sugere que a inflação poderá permanecer estruturalmente mais elevada do que no passado, limitando a margem de manobra dos bancos centrais e influenciando negativamente ativos mais sensíveis às taxas de juro.
3. O crescimento já não é exclusivo dos Estados Unidos
Durante muitos anos, o argumento favorável às acções internacionais assentava sobretudo na sua valorização mais atractiva face ao mercado norte-americano. O problema era a ausência de uma narrativa forte de crescimento.
Em 2026, essa situação parece estar a mudar.
Existem actualmente cerca de 200 empresas em todo o mundo com taxas projectadas de crescimento dos lucros superiores a 25% ao ano. Curiosamente, apenas uma das Magnificent Seven cumpre esse critério.
Além disso, os analistas identificam oportunidades de crescimento não apenas nos EUA, mas também na Europa, Ásia e mercados emergentes.
O que significa para os investidores?
A forte concentração das carteiras globais em acções norte-americanas poderá estar a criar uma oportunidade significativa fora dos EUA. A diversificação geográfica volta a ganhar relevância.
4. A liderança do mercado é tão estreita que as acções conseguem diversificar acções
Este é talvez o gráfico mais surpreendente.
Normalmente, mesmo uma carteira diversificada continua exposta ao risco do mercado através do chamado beta. No entanto, a extrema concentração dos ganhos bolsistas num pequeno grupo de empresas levou a que um número invulgarmente elevado de acções do S&P 500 apresentasse betas negativos.
Um beta negativo significa que determinada acção tende a valorizar quando o mercado cai e vice-versa, algo muito raro.
A última vez que se observou um fenómeno semelhante foi durante e após a bolha tecnológica do início dos anos 2000.
O que significa para os investidores?
A diversificação dentro do próprio mercado accionista poderá ser actualmente mais eficaz do que em muitos momentos da última década, desde que os investidores procurem empresas fora dos segmentos mais populares.
5. As acções internacionais superaram o capital de risco
Durante anos, o venture capital foi visto como uma das classes de ativos mais atractivas do mundo. Entre 2016 e 2021, o desempenho foi tão forte que atraiu não apenas investidores institucionais mas também celebridades e atletas profissionais.
Contudo, os números mais recentes contam uma história diferente.
Desde o final de 2021 até Agosto de 2026, as acções globais fora dos EUA superaram o desempenho do capital de risco.
Trata-se de uma mudança de regime pouco discutida, mas potencialmente muito importante para a alocação de ativos.
O que significa para os investidores?
Os retornos extraordinários do passado não garantem o futuro. Activos considerados menos "emocionantes", como as acções internacionais, podem estar a oferecer uma melhor relação entre risco e retorno do que investimentos alternativos altamente mediáticos.
Conclusão
Os cinco gráficos de Richard Bernstein apontam para uma mesma ideia, o consenso do mercado pode estar desalinhado com a realidade económica.
A especulação continua elevada, a inflação global está a ser impulsionada pela desglobalização, o crescimento é cada vez mais internacional, a concentração do mercado atingiu níveis extremos e o desempenho relativo das classes de activos está a mudar.
Consulte artigo aqui.
Fonte: Janus Henderson Investors