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# Outlook 2º Trimestre 2025 - Alocação de Activos

 14 Abril 2025

 Global market status

 Global market status

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Tal como referido atrás, no que à economia e aos mercados diz respeito, a palavra do momento parece ser ‘**incerteza’**. E, de facto, a incerteza económica aumentou significativamente desde o final do ano passado, tal como é visível pela evolução do índice Global Economic Policy Uncertainty, em particular, após os resultados das eleições presidenciais nos Estados Unidos e da vitória de Donald Trump.

E, apesar de presentemente o mundo parecer um local menos seguro, a realidade é que a economia global continua a crescer a uma taxa próxima da média histórica, ligeiramente acima dos 3%, suportada por políticas monetárias mais acomodatícias e desemprego historicamente baixo.

Entretanto, a recente correcção do mercado accionista norte-americano permitiu o ajustamento do respectivo prémio de risco (*Equity Risk Premium*, ERP) para um valor mais próximo da média histórica, e mais consentâneo com a referida incerteza económica reinante. Na Europa, os anúncios de mais investimento, em defesa e infraestruturas, animaram os principais índices accionistas, permitindo a diminuição do desconto, de valores muito deprimidos, nas avaliações destes face aos congéneres norte-americanos.

Deste modo, aumentamos a exposição a acções norte-americanas de *Underweight* para *Neutral*, ainda que reconhecendo que a **volatilidade** possa permanecer elevada no curto-prazo. Na componente de Obrigações, a recente subida das *yields* da dívida soberana, nomeadamente da alemã, na nossa opinião, constitui uma oportunidade para reforçar posições, num cenário de inflação e crescimento moderados, em particular na Zona Euro. No segmento de High Yield, onde apesar das *yields* permanecerem interessantes, os *spreads* de crédito continuam muito baixos, mantemos alguma prudência, preferindo dívida subordinada Investment Grade, enquanto alternativa.

***Global Economic Policy Uncertainty e Volatilidade (VIX)***

![8-1](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/8-1.png?width=1800&height=556&name=8-1.png)

*Fonte: Bloomberg.*

###### **Mercados no 1º trimestre de 2025**

Nos Estados Unidos, os índices S&P-500 e Nasdaq-100 registaram perdas de 3,6**%** e 6,0**%**, em USD, respectivamente. Considerando os índices S&P-500 sectoriais, os ganhos foram liderados pelos sectores da *Energy* (+7,3%), *Healthcare* (+6,2%) e *Utilities* (+3,2%). Entre as piores *performances*, destaque para os sectores *Consumer Discretionary* (-13,9%) e *Information Technology* (-9,5%).

Por sua vez, na Europa os índices Stoxx-600 e EuroStoxx-50 registaram variações de +8,3**%** e +10,8**%**, respectivamente. Entre os principais mercados, o destaque recai sobre o índice alemão (DAX-40), com uma valorização de 15,0%. Na Ibéria, os índices IBEX-35 e PSI registaram ganhos de 15,1% e 6,6%, respectivamente.

Entre os mercados emergentes (+5,2%), medido pelo índice MSCI Emerging Markets, em USD), o destaque vai para o mercado chinês, com uma valorização de 19,8% do índice Hang Seng China (em USD). Por sua vez, os mercados da América Latina valorizaram, em média, 14,5% (em USD), medidos pelo índice MSCI EM Latin America. Entre estes, destaque para o mercado mexicano que, apesar da pressão da nova Administração norte-americana, valorizou 9,8% (em USD), desde o início do ano. O mercado brasileiro, medido pelo índice Ibovespa, registou um ganho de 20% (em USD), no mesmo período.

**Rendibilidades – 2025 YTD**

**![10](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/10.png?width=650&height=358&name=10.png)***Fonte: Bloomberg. Cotações em 21-Mar-2025.*

Tal como nos mercados accionistas, também entre as obrigações de dívida soberana o trimestre foi de divergência entre os Estados Unidos e a Europa.

Nos Estados Unidos, a incerteza quanto aos efeitos de implementação de tarifas sobre as importações no crescimento económico, levou as *yields* dos Treasuries a 2 e 10 anos a caírem 29 e 32 bp, para os 3,95% e 4,25%, respectivamente. Deste modo, a inclinação da *yield curve* manteve-se praticamente inalterada, nos 30 bp (33 bp no final de 2024).

Por sua vez, na Zona Euro, as *yields* dos Bunds alemães a 2 e 10 anos subiram 5 bp e 40 bp, para os 2,13% e 2,77%, respectivamente. Ao contrário dos Estados Unidos, o diferencial de *yields* entre estes dois prazos aumentou significativamente, tendo passado de 29 bp para 63 bp, com o mercado a descontar o risco do aumento do endividamento dos países da Zona Euro, em especial da Alemanha, face aos anunciados planos de investimento em defesa e infraestruturas, e os possíveis efeitos ao nível da inflação.

***Yields* da Dívida Soberana**

**![14](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/14.png?width=650&height=418&name=14.png)**

*Fonte: Bloomberg. Yields dos índices US Treasuries e Euro Agg Government (maturidades médias de 7,8 e 6,0 anos).*

Nos segmentos de dívida privada, o primeiro trimestre encerrou com variações ligeiras. Com efeito, os spreads do High Yield aumentaram 38 bp nos Estados Unidos, e apenas 2 bp na Europa, para os 349 bp e 320 bp, respectivamente. No segmento de Investment Grade, as variações foram igualmente residuais, tendo os spreads encerrado o trimestre nos 60 bp (+10 bp) e 61 bp (+3 bp), respectivamente. Deste modo, conjugando a evolução das yields e dos spreads de crédito, os índices globais de High Yield e Investment Grade variaram +1,3% e +0,6%, em EUR, no trimestre.

Nos mercados cambiais, o USD perdeu 4,3% contra o EUR e 0,8% contra o JPY, pressionado pela perspectiva de aceleração no ritmo de crescimento económico no bloco do Euro, à luz do aumento do investimento e menos cortes de taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE). Deste modo, o índice Dollar Spot (DXY), que mede a *performance* do USD contra as principais divisas mundiais, registou uma perda de 4,1%, no primeiro trimestre.

Por fim, os preços das matérias-primas apresentaram uma perda média de +1,6%, medida pelo índice S&P GSCI Spot, em USD, no trimestre. O principal responsável por esta variação foi a cotação do Ouro, com uma subida de 15,4% (em USD), impulsionada, em larga medida, pelo aumento das tensões geopolíticas e da incerteza económica global. Os Produtos Agrícolas e os Metais Industriais registaram variações ligeiras (+0,2% e +7,1%, respectivamente, em USD), e o segmento de Energia contribuiu negativamente para a *performance* do trimestre, com uma desvalorização média de 2,5% (em USD).

 

###### ***Outlook* para o 2º trimestre de 2025**

Conforme referido atrás, apesar da incerteza dominante, a economia mundial continua resiliente e as **expectativas para a taxa da inflação permanecem ancoradas** entre os 2,0% e os 2,5%, nas principais economias desenvolvidas, de acordo com as taxas de juro a prazo (taxas a 5 anos, *forward* 5 anos).

**Taxas de juro a 5 anos, *forward* 5 anos (5Y5Y)**

![11](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/11.png?width=650&height=411&name=11.png)

*Fonte: Bloomberg.*

Neste contexto, o cenário para os activos com risco permanece relativamente favorável, sobretudo após a recente correcção de alguns segmentos como as acções das empresas tecnológicas e de consumo discricionário e, entre as obrigações, da subida das yields de dívida privada europeia. Entre estas últimas, os spreads de crédito mantêm-se historicamente reduzidos e com pouca margem para estreitarem muito mais, mas as taxas de default (incumprimento) permanecem baixas e as yields (total return) destas obrigações situam-se em níveis interessantes e acima da inflação esperada. Ainda assim, considerando a potencial maior correlação entre os spreads de High Yield e os mercados accionistas, mantemos a preferência pelo segmento de dívida privada Investment Grade.

***Spreads* de Crédito (%)**

![](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/image-png-Mar-26-2025-04-20-37-5791-PM.png?width=1809&height=621&name=image-png-Mar-26-2025-04-20-37-5791-PM.png)

*Fonte: Bloomberg.*

Como alternativa ao High Yield, e por forma a maximizar a yield das carteiras salvaguardando um rating médio Investment Grade, mantemos igualmente a exposição a obrigações de Dívida Híbrida, tanto Corporates como Financials. Com efeito, à presente data, as obrigações híbridas Corporate oferecem um spread adicional de 97 bp sobre as obrigações seniores com rating comparável, e no segmento financeiro o acréscimo de spread ronda os 250 bp.

Por seu turno, na componente accionista das carteiras, aumentamos a exposição a acções norte-americanas, de Underweight para Neutral, e reduzimos as acções europeias de Overweight para Neutral, após a forte recuperação das últimas face às primeiras, durante o primeiro trimestre (cerca de +16%, considerando as performances dos índices S&P-500 e Stoxx-600, em EUR).

Com efeito, apesar do desconto das acções europeias (Stoxx-600) relativamente às congéneres americanas (S&P-500), medido pelo rácio entre os respectivos Price Earnings (forward 12 meses), permanecer favorável (-30% vs média -17%), reconhecemos um potencial de crescimento superior nas empresas americanas, pelo que colocamos ambos os mercados com uma alocação Neutral.

Em termos sectoriais, mantemos a exposição aos temas identificados no último Outlook: Tecnologia e Inteligência Artificial, Saúde e Biotecnologia, Infraestruturas e Energia, e Segurança, incluindo cibersegurança.

***Price Earnings* e *Yield Gaps***

**![12](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/12.png?width=1800&height=1246&name=12.png)***Fonte: Bloomberg, Banco Invest.*

Por último, reduzimos o underweight no dólar norte-americano (USD), após a diminuição do desconto da moeda europeia face ao nível (teórico) justificável, considerando a relação histórica entre a mesma e o diferencial de taxas de juro a 2 anos das duas moedas. Com efeito, apesar das perspectivas para a economia da Zona Europeia terem melhorado com o anunciado aumento do investimento, na nossa opinião, o espaço para cortes de taxas de juro continua a ser maior na área do euro.

**EUR/USD e Diferencial de taxas de juro a 2 anos**

 

Modelo de regressão linear entre o diferencial de taxas de juro a 2 anos e a cotação do EUR/USD (R^2 igual a 0,5384)

 

![13](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/13.png?width=1800&height=796&name=13.png)

*Fonte: Bloomberg, Banco Invest. Modelo de regressão linear entre o diferencial de taxas de juro a 2 anos e a cotação do EUR/USD.*

Concluindo, apesar do aumento da incerteza, em larga medida devido à retórica protecionista e confrontacional da nova administração norte-americana, não só em relação à China como também em relação aos seus aliados, a economia global permanece resiliente e as expectativas para inflação relativamente ancoradas, ainda que acima do objectivo dos 2,0%. Neste cenário, os Bancos Centrais deverão voltar a cortar as taxas de juro durante este ano, os resultados das empresas são esperados continuar igualmente resilientes e as taxas de default historicamente baixas. Assim, considerando que a referida incerteza poderá traduzir-se no aumento da volatilidade nos mercados accionistas, mantemos uma abordagem diversificada, combinando activos e sectores mais cíclicos com outros mais defensivos. Na componente obrigacionista, os reduzidos spreads de crédito levam-nos a privilegiar o segmento de Investment Grade, incluindo dívida híbrida e soberana.

 

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