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# Outlook 2026 - Alocação de Activos

 22 Dezembro 2025

 Global market status

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À medida que entramos em 2026, os mercados accionistas continuam suportados por **resultados das empresas globalmente positivos**, embora ensombrados por avaliações historicamente elevadas e níveis altos de concentração nos principais *benchmarks* mundiais, dominados pelas *big techs* norte-americanas, por sua vez impulsionadas pelo investimento massivo em **Inteligência Artificial** (IA), com estimativas entre 5 e 8 triliões de USD, até 2030.

Por outro lado, as perspectivas macroeconómicas são relativamente favoráveis, com um **risco baixo de recessão**, as *yields* da dívida pública permanecem controladas, assim como a **inflação** nas principais economias, e os **bancos centrais** são esperados manter políticas monetárias ligeiramente acomodatícias. Dito isto, no médio prazo, contudo, os **elevados níveis de endividamento** público e a aceleração da inflação constituem importantes riscos.

Em suma, a IA promete ser mais do que uma inovação tecnológica e, sem dúvida, com potencial para acelerar os processos de inovação, de crescimento económico e dos mercados, nos próximos anos. Porém, existe um aparente desfasamento entre os investimentos actuais massivos e as receitas futuras, inclusive levando as empresas a recorrer ao crédito para se financiarem, o que pressiona o **custo de capital** e torna os mercados mais vulneráveis a choques. Num mercado cada vez mais concentrado, a **diversificação**, geográfica e sectorial, ganha uma importância acrescida e fundamental, num contexto de **incerteza** macroeconómica e geopolítica persistente, e potencial subida da **volatilidade** nos mercados financeiros.

***Global Economic Policy Uncertainty e Volatilidade (VIX)***

![pic1](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/pic1.png?width=1200&height=375&name=pic1.png)*Fonte: Bloomberg.*

###### **Mercados em 2025**

Desde o início do ano, nos Estados Unidos, os índices S&P-500 e Nasdaq-100 registaram ganhos de 16,4**%** e 21,0**%**, em USD, respectivamente. Considerando os índices S&P-500 sectoriais, os ganhos foram liderados pelos sectores de Serviços de Comunicações (+33,8%), Tecnologia de Informação (+23,7%) e *Utilities* (+19,0%). Entre as piores *performances*, destaque para os sectores de Consumo Básico (+3,3%), Consumo Discricionário (+4,6%) e Energia (+4,9%).

Por sua vez, na Europa, os índices Stoxx-600 e EuroStoxx-50 registaram variações de +13,6**%** e +15,8**%**, respectivamente. Entre os principais mercados, o destaque recai sobre o índice espanhol (IBEX 35), com uma valorização de 41,2%. Em Portugal, o índice PSI registou ganhos de 27,2%, mantendo a *outperformance* dos últimos meses.

**Rendibilidades – 2025 YTD**

**![pic2-1](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/pic2-1.png?width=700&height=395&name=pic2-1.png)***Fonte: Bloomberg. Cotações em 28-Nov-2025.*

 

Entre os mercados emergentes (+27,1%, medido pelo índice MSCI Emerging Markets, em USD), o destaque recai sobre o mercado brasileiro (Ibovespa), com uma subida de 53,1%, em USD. Entre os mercados sul-americanos, importa ainda realçar o desempenho do mercado mexicano (S&P/BMV IPC), com uma valorização de 46,4% (em USD).

Entre os mercados de Dívida Pública, o ano ficou marcado pela divergência entre os principais blocos económicos.

Nos Estados Unidos, as *yields* dos Treasuries a 2 e 10 anos desceram 75 e 56 bp, para os 3,49% e 4,01%, respectivamente. Deste modo, a inclinação da *yield curve* aumentou durante o ano, dos 33 bp para os 52 bp, com o mercado a descontar cortes de taxas de juro no curto prazo, mas preocupado, entre outros, com a sustentabilidade da dívida pública no longo prazo.

Por sua vez, na Zona Euro, as *yields* dos Bunds alemães a 2 e 10 anos variaram -5 bp e +32 bp, para os 2,03% e 2,69%, respectivamente. Na Alemanha, o diferencial de *yields* entre estes dois prazos cifrou-se nos 66 bp.

***Yields* da Dívida Soberana**

**![pic5](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/pic5.png?width=550&height=369&name=pic5.png)***Fonte: Bloomberg. Yields dos índices US Treasuries e Euro Agg Government (maturidades médias de 7,7 e 6,0 anos).*

Tal como nos mercados accionistas, nos segmentos de dívida privada, o ano foi igualmente de ganhos. Desde o início do ano, os *spreads* do High Yield estreitaram 30 bp na Europa, e alargaram 11 bp nos Estados Unidos, para os 288 bp e 322 bp, respectivamente. No segmento de Investment Grade, as variações foram menos expressivas, com os *spreads* a situarem-se nos 53 bp (-5 bp) e 51 bp (+1 bp), respectivamente. Deste modo, conjugando a evolução das *yields* e dos *spreads* de crédito, os índices globais de High Yield e Investment Grade variaram +7,2% e +3,1%, em EUR, no ano.

Nos mercados cambiais, desde o início do ano, o USD acumula perdas de 10,7% contra o EUR, e 0,6% contra o JPY, descontando o risco de desaceleração económica, provocada pelo aumento das tarifas comerciais, conjugada com o aumento do endividamento, associado à perspectiva de cortes de impostos e manutenção de elevados défices públicos.

Por fim, desde o início do ano, os preços das matérias-primas apresentaram um ganho médio de +1,0%, medido pelo índice S&P GSCI Spot, em USD. O destaque recai sobre os Metais Preciosos (+63,9%), em particular, o Ouro, cujo preço subiu 9,9% no trimestre (+61,5% desde o início do ano), impulsionado pela manutenção dos riscos geopolíticos e pela depreciação do USD.

 

###### **Outlook 2026**

Apesar da incerteza dominante, a economia mundial continua resiliente e, nas principais economias desenvolvidas, as **expectativas para a taxa da inflação** permanecem ancoradas entre os 2,0% e os 2,5%, de acordo com as taxas de juro a prazo (taxas a 5 anos, *forward* 5 anos). Deste modo, sobretudo nos Estados Unidos, continuamos a ver potencial para a Reserva Federal (**FED**) continuar a cortar as taxas de juro até, pelo menos, aos 3,50%. Na Zona Euro, o **BCE** deverá manter as taxas de juro nos 2,00%, num cenário de inflação perto do objectivo e aumento do investimento público, nomeadamente em defesa e em infraestruturas.

**Taxas de juro a 5 anos, *forward* 5 anos (5Y5Y)**

![pic6](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/pic6.png?width=550&height=355&name=pic6.png)*Fonte: Bloomberg.*

Contudo, apesar do **contexto relativamente construtivo** – crescimento económico e inflação moderados, desemprego baixo e taxas de juro longe dos máximos recentes –, na nossa opinião, os mercados, nomeadamente as Acções e o Crédito, não só já descontam as boas notícias como parecem ignorar os riscos latentes. Em particular, chamamos a atenção para os **reduzidos prémios de riscos** oferecidos pelas duas classes de activos.

Deste modo, entre as Obrigações reduzimos a alocação ao **High Yield**, para *Underweight*, identificando uma reduzida margem para os *spreads* de crédito continuarem a estreitar, mesmo num cenário de manutenção de taxas de *default* baixas, como o actual. Por outro lado, a correlação destas obrigações com os mercados accionistas tende a ser elevada, em especial em períodos de correcção, o que também pesou na decisão de reduzir a alocação à classe de activos. Deste modo, reduzimos a referida alocação para o nível *Underweight*, mesmo admitindo que as actuais *yields* (5,7% na Europa e 7,1% nos Estados Unidos) continuam a comparar bem com as Acções, em termos da relação risco e retornos esperados.

***Spreads* de Crédito (%)**

![pic7](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/pic7.png?width=1200&height=418&name=pic7.png)*Fonte: Bloomberg.*

Por sua vez, entre as obrigações **Investment Grade**, mantemos, de forma selectiva, a preferência pela dívida **Híbrida**, tanto de *Corporates* como de *Financials*. Com efeito, à presente data, as obrigações híbridas *Corporate* oferecem um *spread* adicional de 75 bp sobre as obrigações *senior* com *rating* comparável, e no segmento financeiro o acréscimo de *spread* ronda os 215 bp. Apesar de historicamente baixos, estes diferenciais constituem uma alternativa para maximizar as *yields* das carteiras.

Por fim, mantemos o *Overweight* em **Dívida Emergente**, em **moeda local**, enquanto diversificadora entre a componente obrigacionista, num contexto de 1) USD mais fraco (historicamente favorável para a classe de activos), 2) descida das taxas de juro em vários mercados emergentes, após anos de políticas monetárias restritivas e 3) baixa participação de investidores estrangeiros em dívida local emergente, quando comparada com a média histórica, o que pode conduzir a novos fluxos de capital em busca de *yields* superiores.

Por seu turno, na **componente accionista** das carteiras, mantemos a exposição às acções **norte-americanas** em *Underweight*, e mantemos as acções **europeias** com uma alocação *Neutral*. Apesar da recuperação das últimas face às primeiras (+9,7% desde o início do ano, considerando as *performances* dos índices S&P-500 e Stoxx-600, em EUR), na nossa opinião, as acções europeias continuam a transaccionar com um **desconto** considerável (cerca de 34% vs. um desconto médio de 18% nos últimos 20 anos) e com potencial para continuar a recuperar terreno face às congéneres norte-americanas. Os **mercados emergentes** permanecem igualmente atractivos (desconto de 40%), pelo que mantemos uma alocação *Neutral*.

***Price Earnings*** ***e Yield Gaps***

![pic8](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/pic8.png?width=1200&height=825&name=pic8.png)*Fonte: Bloomberg, Banco Invest.*

Em termos sectoriais, mantemos a exposição aos temas identificados nos últimos Outlooks: **Tecnologia**, **Saúde**, **Infraestruturas** e **Energia**, e **Segurança**, incluindo **Defesa** e **Cibersegurança**. As oportunidades de investimento nos sectores identificados decorrem de tendências estruturais com impacto transversal a várias áreas da economia.

A **Tecnologia** tem vindo a impulsionar transformações em praticamente todos os sectores, dos serviços financeiros à indústria, da tecnologia à saúde. O impacto económico da economia digital é considerável e reflecte a crescente tendência de digitalização no plano empresarial, a rápida adopção de serviços baseados em *cloud*, a expansão do comércio electrónico e os mais recentes desenvolvimentos em áreas como a **Inteligência Artificial** (IA), *big data* e pagamentos digitais.

O sector da **Saúde** representa cerca de 10% do PIB global e está a ser impulsionado por uma combinação de factores demográficos, como o envelhecimento populacional, o aumento da esperança média de vida e a crescente prevalência de doenças crónicas, bem como o avanço de novas tecnologias, como a terapia genética e as vacinas de última geração. As previsões apontam para que o mercado global de saúde continue a crescer a um ritmo considerável nas próximas décadas, criando oportunidades significativas de investimento em empresas líderes deste sector.

Por outro lado, o tema das **Infraestruturas** permite ganhar exposição a sectores essenciais da economia. As infraestruturas são a base para o funcionamento das economias modernas, abrangendo desde a produção e distribuição de **energia** até à gestão de resíduos ou soluções de mobilidade. Este tema é ainda impulsionado por factores como a transição energética, urbanização crescente e a digitalização dos sistemas industriais e urbanos.

Num contexto internacional marcado por crescentes tensões geopolíticas, aumento dos orçamentos de **defesa** e uma digitalização acelerada das forças armadas e das infraestruturas críticas, as empresas ligadas à defesa e à **cibersegurança** desempenham um papel cada vez mais central na manutenção da segurança a nível global. Os gastos mundiais com defesa ultrapassaram os 2,7 triliões de dólares em 2024 (+9,4% face a 2023), segundo o SIPRI, e deverão continuar a crescer à medida que países da NATO e outras potências aumentam os seus investimentos estratégicos em segurança nacional e defesa.

Por último, durante o quarto trimestre, continuámos a aumentar gradualmente a exposição ao **USD**. Na nossa opinião, o USD deverá manter-se pressionado pelas tensões comerciais e aumento das tarifas, na medida em que, pelo menos conceptualmente, a diminuição do comércio internacional poderá conduzir não só a uma diminuição do crescimento económico, como a uma menor necessidade de reservas em USD e, consequentemente, a uma menor procura internacional de Treasuries. No entanto, grande parte do ajustamento já poderá ter ocorrido (-11% desde o início do ano), pelo menos considerando o **diferencial de taxas de juro** entre as duas moedas.

**EUR/USD e Diferencial de Taxas de Juro a 2 anos**

 

Modelo de regressão linear entre o diferencial de taxas de juro a 2 anos e a cotação do EUR/USD (R2 igual a 0,54)

 

![Capture-Dec-19-2025-08-57-11-7871-AM](https://spot.bancoinvest.pt/hs-fs/hubfs/Capture-Dec-19-2025-08-57-11-7871-AM.png?width=700&height=312&name=Capture-Dec-19-2025-08-57-11-7871-AM.png)* Fonte: Bloomberg, Banco Invest. Modelo de regressão linear entre o diferencial de taxas de juro a 2 anos e a cotação do EUR/USD.*

Concluindo, apesar do aumento da incerteza, em larga medida devido à retórica protecionista e mercantilista da nova Administração norte-americana em relação à China e aos seus aliados históricos, a economia global permanece resiliente, embora abaixo da tendência dos últimos anos, e as expectativas para a inflação relativamente ancoradas, em torno dos 2,0%-2,5%. Neste cenário, a FED deverá continuar a cortar as taxas de juro, pelo menos, durante o primeiro trimestre de 2026.

Neste contexto, embora os riscos macro e geopolíticos continuem relevantes, preocupa-nos, sobretudo, as elevadas **avaliações** das classes de activos com risco, nomeadamente das **Acções** e do **Crédito**. Como tal, mantemos uma abordagem diversificada, combinando activos e sectores mais cíclicos com outros mais defensivos. Na componente obrigacionista, face aos reduzidos *spreads* de crédito reduzimos exposição ao segmento **High Yield**, sobretudo por aumento da alocação a Investment Grade, mais sensível à evolução das taxas de juro e menos ao risco de crédito.

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