Durante anos, as obrigações do Tesouro dos Estados Unidos foram consideradas um dos investimentos mais seguros e previsíveis do mundo financeiro. No entanto, os mercados actuais contam uma história diferente.
As yields das obrigações atingiram os níveis mais elevados desde antes da Crise Financeira Global de 2008 e muitos investidores continuam a preferir acções ligadas à inteligência artificial, tecnologia e crescimento.
O Regresso das Yields Elevadas
A yield das obrigações norte-americanas a 30 anos atingiu os 5,31%, o valor mais elevado desde 2007. Este marco é particularmente relevante porque remete para um período anterior à crise financeira que abalou a economia mundial.
À primeira vista, as taxas de juro mais elevadas podem parecer um sinal de alerta para os mercados accionistas. Afinal, quando as obrigações oferecem retornos mais atractivos, os investidores tendem a retirar liquidez das acções e a transferi-la para activos considerados mais seguros. Contudo, a situação actual é mais complexa.
Por um lado, é importante lembrar que o mundo viveu quase duas décadas de taxas de juro anormalmente baixas após a crise de 2008. Neste contexto, a subida das yields pode ser vista como uma normalização dos mercados financeiros. Por outro lado, o aumento contínuo das taxas também reflecte preocupações reais, nomeadamente o crescimento da dívida pública norte-americana e os elevados custos associados com juros.
O Que Significa a Inclinação da Yield Curve?
Um dos indicadores mais observados pelos economistas é a chamada yield curve. Numa situação considerada saudável, as obrigações de longo prazo apresentam yields superiores às de curto prazo. Em termos simples, os investidores exigem um maior retorno para emprestar dinheiro durante mais tempo.
Actualmente, a curva está novamente a inclinar-se, o que, à primeira vista, pode parecer um sinal positivo para a economia. No entanto, convém analisar com atenção a origem desse movimento.
A actual inclinação não resulta de um maior optimismo em relação ao crescimento económico. Pelo contrário, está a ser impulsionada pela venda de obrigações de longo prazo, o que faz subir as respetivas yields. Na prática, o mercado está a exigir uma compensação maior para assumir o risco de manter dívida durante muitos anos.
Isto sugere que os investidores continuam preocupados com factores como a inflação, a sustentabilidade da dívida pública e a evolução futura das taxas de juro.
O Nível Crítico dos 5% nas Obrigações a 10 Anos
Embora a subida da yield a 30 anos tenha captado as atenções, muitos analistas consideram que o verdadeiro teste para os mercados está nas obrigações a 10 anos.
Este prazo é frequentemente utilizado como referência para o custo do crédito, avaliação de empresas e decisões de investimento em todo o mundo.
Caso a yield das obrigações a 10 anos ultrapasse os 5%, poderá surgir uma pressão adicional sobre as acções, o imobiliário e outros activos de risco.
Fonte: Bloomberg, ZeroHedge