Hoje é a última reunião de política monetária de Jerome Powell, como Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, mas também é o dia em que o Senado norte-americano vai votar a escolha de Kevin Warsh para suceder a Jerome Powell, na liderança da Fed a partir de 15 de Maio, quando termina o mandato de Powell.
O único senador Republicano que se opunha à nomeação de Kevin Warsh como presidente da Fed vai votar favoravelmente à indigitação do escolhido pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, para o cargo, depois de a investigação contra o actual líder do banco central, Jerome Powell, ter sido arquivada na Sexta-feira pela procuradora-geral de Washington DC, Jeanine Pirro.
5 Factos Sobre o Legado de Powell
1. Não é Economista de Formação
Powell é o primeiro Presidente da Fed em mais de 40 anos sem PhD em economia (o anterior foi G. William Miller em 1978-79). Formou-se em Direito em Georgetown e foi editor-chefe da revista de direito da universidade. Isso destacou-o como "prático" e construtor de consensos, em vez de académico puro.
2. Gestão da Pandemia e Estímulos Históricos
Durante a Covid-19, a Fed sob Powell cortou as taxas de juro para zero e expandiu o balanço patrimonial para um recorde de 8,9 biliões de dólares (o maior da história). Isso incluiu compras massivas de obrigações e hipotecas. Evitou uma depressão, mas criou bolhas em acções, habitação e obrigações. A economia dos EUA recuperou mais rápido que a da maioria dos pares avançados.
3. Saga da Inflação "Transitória"
Em 2021, Powell e a Fed insistiram que a inflação pós-pandemia era "transitória". Quando a inflação subiu para máximos de 40 anos (9,1% em 2022), a Fed fez o ciclo de subidas de juros mais agressivo em 40 anos. Conseguiu baixar a inflação para ~2,3% sem recessão (um "soft landing" elogiado por muitos), mas foi criticado por demorar a reagir.
4. Resultados Macroeconómicos Mistos mas Sólidos
Powell manteve o desemprego histórica baixo, um crescimento económico resiliente e os mercados financeiros em alta apesar das quedas em 2020 e 2022.
5. Defesa da Independência da Fed
Um dos pontos mais fortes do seu legado: resistiu a pressões políticas, especialmente de Trump (que o nomeou, mas depois o criticou duramente). Manteve-se firme contra interferências, o que muitos analistas consideram o maior contributo para a credibilidade institucional.
5 Factos sobre a Nova Era de Marsh
1. Redução do Balanço da Fed
O balanço da Fed disparou de $800 mil mn pré-2008 para picos acima de $8 biliões. Warsh quer encolhê-lo de forma gradual para dar espaço a cortes de juros e reduzir interferência em mercados.
2. Menos "Forward Guidance"
Warsh quer menos sinalizações futuras detalhadas sobre juros. Ele acha que isso limita a flexibilidade do Fed em ambientes normais.
3. Foco Mais Estreito em Política Monetária
Menos declarações sobre clima, diversidade ou outros temas e mais ênfase em inflação e emprego pleno para ajudar a preservar a independência operacional.
4. Visão optimista com IA e Produtividade
Warsh vê IA como força desinflaccionária forte, capaz de elevar produtividade e salários. Ele critica o "data-dependent" excessivo e "backward-looking" do Fed actual, defendendo uma abordagem mais proactiva.
5. Promete não ser "Sock Puppet" de Trump
Warsh é visto como mais "dovish" do que Powell em alguns cenários, mas "hawkish" em controle fiscal e monetário. Ele já criticou a inflação pós-pandemia como "escolha" má da Fed. Ele promete não ser "sock puppet" de Trump mas defende coordenação maior com o Tesouro e foco operacional.
Esta transição representa uma nova era na Fed: do Powell "data-dependent" e comunicativo para uma Fed mais focado, menor em tamanho e com visão estruturalmente optimista sobre a economia norte-americana.