Queda de Maduro: Três Cenários para Venezuela

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Neste fim-de-semana, o presidente Trump concluiu uma operação militar na Venezuela, para depor o ditador socialista Nicolás Maduro que estava no poder há 12 anos. O ataque pelos Estados Unidos, a captura do presidente Nicolás Maduro e a intenção dos EUA de governar o país, pelo menos temporariamente, significam que a Venezuela tem agora uma hipótese de restaurar a democracia e a prosperidade. 

A Venezuela detém as maiores reservas petrolíferas do mundo, com mais de 300 mil milhões de barris, representando quase um quinto das reservas  globais.

oil2No entanto, apesar de liderar o ranking mundial no que diz respeito às reservas, a Venezuela não aparece sequer nos dez maiores produtores de petróleo. Em 2024, a sua produção não conseguiu chegar aos 1000 milhões de barris de petróleo, mesmo assim uma ligeira subida face aos anos anteriores, mas muito longe do máximo de 3500 milhões de barris registado em 1997.

oilNo cenário mais favorável, o apoio dos EUA abre caminho para uma transição democrática e a nova liderança da Venezuela, impulsionando o crescimento da sua economia. Dado o foco negocial do governo Trump, também é possível que os EUA priorizem investimentos de curto prazo, apoiando um líder que promete retomar o fluxo de petróleo e não reabrir as urnas.

Contudo, o pior cenário para a Venezuela, os EUA e o mundo seria um mergulho no caos, com os rivais disputando o poder e os EUA mostrando-se relutantes em gastar recursos para restaurar a estabilidade. Após as declarações de Trump, os analistas da Bloomberg acreditam que o risco de a Venezuela mergulhar no caos é menor.

Qualquer que seja o resultado, terá implicações significativas para as perspectivas da Venezuela, o fornecimento global de petróleo, os mercados de dívida, os fluxos migratórios e a posição dos EUA na região e no mundo.

Três Cenários para a Venezuela

1) Transição Democrática

No cenário mais positivo, a Venezuela vê uma transição para um governo interino comprometido em realizar eleições justas e abertas o mais rápido possível, sem comprometer a estabilidade. Isso permitiria que a Venezuela iniciasse um caminho desafiador rumo à normalização política e económica, visando recuperar seu lugar entre as maiores e mais ricas economias da América Latina.

Nesse cenário, as obrigações soberanas da Venezuela deverão valorizar com a expectativa de uma reestruturação da dívida. Os mercados de petróleo podem desvalorizar ainda mais em antecipação a um aumento da oferta em mais de dois milhões de barris por dia, contribuindo para o excesso esperado.

2) Transição em Pausa

Neste cenário, prevê-se uma recuperação modesta mas a produção de petróleo deverá superar um milhões de barris por dia. Em relação às dívida venezuelana espera-se uma recuperação mas que poderá estar sujeita a uma reversão.

3) Caos

No pior cenário, um vácuo de poder levará a conflitos e a uma crise económica mais profunda, com consequências negativas para os mercados de dívida e petróleo, exacerbação da migração e dos problemas de segurança, além de um significativo golpe na reputação dos EUA. Nesse cenário, espera-se um impacto mínimo nos mercados globais de petróleo, já que eles já precificaram a quarentena imposta pelos EUA em andamento.

venezuelaFonte: Bloomberg, Goldman Sachs

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