Com Agosto a terminar, os investidores começam a olhar para Setembro com alguma cautela. A razão é simples: historicamente, Setembro tem sido o mês mais fraco para as bolsas norte-americanos.
Para além disso, Wall Street poderá estar prestes a entrar num dos períodos mais turbulentos do ano. O principal barómetro da volatilidade bolsista, o índice VIX, terminou Agosto nos níveis mais baixos de 2026 mas a história sugere que essa serenidade pode não durar muito tempo.
Conhecido como o índice do medo, o VIX mede as expectativas dos investidores relativamente às oscilações do índice S&P 500 nos próximos 30 dias. Na passada Sexta-feira, o indicador atingiu um novo mínimo do ano de 14,13 pontos.

Este foi o valor mais baixo deste ano, bastante distante dos picos registados na Primavera, quando as tensões geopolíticas no Médio Oriente provocaram fortes movimentos nos mercados.
No entanto, os dados históricos revelam que Setembro e Outubro costumam trazer uma mudança de cenário. Desde 1990, o VIX tende a subir nesta altura do ano, reflectindo uma maior incerteza entre os investidores. Contudo, uma subida da volatilidade não significa necessariamente uma queda das bolsas. Pelo contrário, indica apenas que o mercado espera movimentos mais intensos, quer em alta quer em baixa.
Volatilidade não significa crise
Para os investidores, a principal mensagem é que um eventual aumento da volatilidade nas próximas semanas não deverá ser interpretado automaticamente como um sinal de alerta grave. Com o VIX a partir de níveis historicamente baixos, existe margem para uma subida significativa sem que isso represente uma deterioração anormal das condições de mercado.
Se o indicador regressar à zona dos 18 a 20 pontos, ou até aos 20 e poucos pontos durante Setembro e Outubro, Wall Street poderá simplesmente estar a comportar-se de acordo com os padrões sazonais observados ao longo das últimas décadas.
Setembro continua a ser o mês mais difícil
A sazonalidade dos mercados reforça esta ideia. Ao analisar os últimos 69 anos de comportamento do índice S&P 500, Setembro destaca-se como o pior mês do calendário.
Em média, o índice S&P 500 registou uma queda de 0,74% e apresentou ganhos em apenas 44% dos anos observados.
Contudo, a história não termina aqui. A mesma análise revela que Novembro tende a ser o melhor mês do ano para o mercado norte-americano. Por conseguinte, as correções de Setembro podem criar oportunidades de compra para investidores com uma visão de médio e longo prazo.
O que esperar agora?
Embora a sazonalidade seja uma ferramenta útil para compreender tendências históricas, não constitui uma fórmula infalível. Cada ano apresenta factores próprios e 2026 já demonstrou ser capaz de surpreender os investidores.
Ainda assim, após um Verão excepcionalmente tranquilo, tudo aponta para que os próximos meses tragam maior intensidade aos mercados. A questão não é necessariamente se as acções vão subir ou descer, mas sim se os investidores estão preparados para um regresso da volatilidade que, historicamente, é normal nesta fase do calendário.
Fonte: Turning Point Research, Yahoo Finance