No primeiro trimestre de 2026, o Fundo AR PPR registou uma variação de -1,6%. Nos últimos 12 meses, a rendibilidade do Fundo ascende a +3,7%:
Relativamente à filosofia de investimento, o Fundo assume uma visão assente nos seguintes pilares:
- Os mercados financeiros são ineficientes e oferecem sempre oportunidades de investir em activos subavaliados;
- O investimento acarreta riscos (de mercado, taxa de juro, crédito, liquidez, etc.) e esses riscos devem ser remunerados. Ou seja, o Fundo assume risco quando o binómio risco-retorno é considerado interessante;
- A principal estratégia de cobertura de risco é a diversificação e a adopção de uma perspectiva de médio-longo prazo. A diversificação entre as várias classes de activos e títulos individuais permite controlar o risco e a volatilidade da carteira global. Não elimina o risco de perda de capital, mas mitiga significativamente o risco específico dos títulos, sectores ou mercados geográficos individuais.
Estes princípios, que regem o processo de investimento do Fundo, traduzem-se numa carteira com a seguinte alocação de activos:
Como ilustrado pela tabela acima, nos últimos trimestres temos mantido uma exposição substancial a obrigações europeias, com preferência pelos títulos Investment Grade, onde se identifica mais valor relativo.
No que diz respeito à performance global do Fundo, importa sublinhar que, no primeiro trimestre do ano, o desempenho foi genericamente afectado pela situação bélica que se vive no Médio Oriente. Cabe, no entanto, destacar a componente de acções nacionais, tendo registado a maior contribuição positiva YTD para o Fundo (+45pb).
Nas páginas que se seguem apresentamos com maior detalhe as características das componentes accionista e obrigacionista do Fundo.
Principais Destaques na Componente Obrigacionista do Fundo
No que diz respeito às métricas da componente obrigacionista da carteira, no último trimestre houve um ligeiro aumento da duration média da carteira para 6,3 anos. Em termos estratégicos, continuamos a ver valor na taxa de juro no actual enquadramento macroeconómico marcado pela incerteza. Por outro lado, um contexto de spreads de crédito um pouco mais largos, levou a um aumento da yield, que se encontrava, no final do trimestre, nos 5,0%.
No campo da dívida pública, considerando os níveis implícitos de inflação para inflation linked bonds na Europa, vendemos parte da posição em obrigações desta natureza emitidas pela Alemanha, que tinhamos adquirido no final de 2025.
Assim, a maior holding do Fundo na categoria obrigacionista passou a ser a obrigação austríaca para 2039 com uma yield de mercado em torno dos 3,6%.
Adicionalmente, mantivémos as core holdings Roman 2.875% dado a yield atractiva e abrimos uma nova posição em dívida holandesa para 2031.
Assim, o rendimento destes títulos ascende a 2,9%, sendo que o governo holandês tem rating AAA pelas 3 agências de rating, pelo que consideramos esta yield atractiva dada a duration de 5 anos. No caso da obrigação emitida pelo governo da Roménia, a mesma tem uma yield de 6,6%, um nível interessante considerando o seu rating de BBB- e o facto de ser estado membro da União Europeia.
Alocámos 1,6% do Fundo a obrigações híbridas da Telefonica com call em 2031, que tem um rendimento próximo aos 5%, assim como um reset de 361,5 pontos sobre a taxa Swap a 8 anos o que aumenta substancialmente a probabilidade desta obrigação ser chamada no ano de 2031. Ainda que a emissão, devido ao facto de ser subordinada, seja High Yield, o emitente é Investment grade e conta com uma posição relevante do estado espanhol entre os seus acionistas com 10%, um nível similar à holding Criteria Caixa e à Saudi Telecom.
Abrimos durante o trimestre uma posição de 1% do fundo em Letras do Tesouro Brasileiro em moeda local, dadas as taxas de juro no Brasil se encontrarem muito elevadas em torno dos 14,75%. Esta posição contribuiu positivamente com +3pb para a performance do fundo. Abrimos também uma posição em divida japonesa em moeda local com o peso de 1,25% no fundo, dada a taxa de juro do Japão a 10 anos se encontrar em torno dos 2,4%.
Relativamente ao aumento ligeiro em dívida High Yield, o mesmo foi efeito através do reforço em dívida da Essendi e da abertura de uma nova posição em dívida da Virgin Media, ambas com yields perto de 6%.
Principais Destaques na Componente Accionista do Fundo
Na componente de acções, o Fundo procura ganhar exposição a diversos mercados accionistas a nível global e a empresas estruturalmente atractivas que apresentem as seguintes características:
- Vantagens competitivas difíceis de replicar;
- Alocação de capital eficiente;
- Possibilidade de crescimento acima da média do sector em que se inserem;
- Equipas de gestão com track record positivo;
- Valorizações atractivas;
- Boas classificações ESG.
Entre as empresas a que o Fundo tem maior exposição directa encontram-se a Microsoft (1,4%), a REN (1,3%), a EDP (1,3%) e a Amazon (1,2%).
Destas empresas, as acções da REN e da EDP foram as que apresentaram uma contribuição mais significativa para o Fundo desde o início do ano (+23bp e +18 bp).

Ainda sobre a componente accionista, aproveitamos para falar de dois nomes da carteira do Fundo:![]()
Enquanto uma das principais fornecedoras de índices financeiros e soluções de apoio ao investimento, a MSCI apresenta um modelo de negócio que se destaca num sector caracterizado por elevadas barreiras à entrada e fluxos de receitas recorrentes. Nos últimos anos, a empresa tem vindo a apresentar um bom desempenho operacional, suportada pela expansão das subscrições e o aumento das taxas baseadas em activos. A escalabilidade do modelo permitiu uma evolução consistente das receitas e rentabilidade, ao mesmo tempo que a maior diversificação das fontes de receita aumenta a visibilidade sobre o crescimento futuro.
No ano de 2025, as receitas operacionais ascenderam a 3.134 milhões de dólares (+10%), enquanto o resultado operacional cresceu 12%. A disciplina na alocação de capital, materializada com programas de recompra de acções, evidencia o compromisso com a criação de valor para os accionistas e contribui para o crescimento do lucro por acção. Por outro lado, as taxas baseadas em activos registaram uma expansão significativa apoiadas na forte procura por ETFs indexados a benchmarks MSCI.
Atendendo à robustez operacional, qualidade do modelo e posição competitiva da MSCI, considerámos justificada a abertura de uma posição, reconhecendo o potencial para continuar a gerar valor a longo prazo.
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Líder na gestão de direitos musicais e serviços para artistas, a Universal Music Group (UMG) apresenta um modelo de negócio suportado por activos intangíveis de elevado valor, forte poder de negociação e exposição ao crescimento do consumo de música digital. Num sector onde a escala, o catálogo e as relações com artistas constituem barreiras à entrada, a empresa beneficia de receitas recorrentes, impulsionadas pela expansão do streaming e pela penetração crescente em mercados emergentes.
Em 2025, as receitas da UMG cresceram 8,7% numa base anual, consequência da disciplina operacional e investimento contínuo em artistas e plataformas de distribuição. No último trimestre, a empresa reforçou esta tendência ao apresentar um crescimento significativo no segmento de Recorded Music.
Em paralelo, a UMG continuou a aprofundar iniciativas estratégicas, incluindo a expansão de serviços direct‑to‑consumer e o reforço da presença em mercados de elevado crescimento. A empresa realizou ainda investimentos relevantes com o objectivo de ampliar a exposição a novos nichos e geografias. Por último, os programas de recompra de acções têm contribuído para reforçar a criação de valor para os accionistas.
Perante um catálogo único, capacidade comprovada de execução e uma avaliação atractiva (P/E ≈ 16x), procedemos ao investimento na Universal Music Group. A nossa análise indica que a empresa se encontra bem posicionada para captar o crescimento da música digital e continuar a criar valor de forma sustentável.
Principais Destaques na Componente de Investimentos Alternativos do Fundo
Relativamente à componente de investimentos alternativos do Fundo, a mesma representava cerca de 4,1% da carteira a 31 de Março de 2026. O objectivo da exposição a investimentos alternativos passa pela obtenção de rentabilidade com reduzida correlação com as demais classes de activos.
Entre as principais exposições contam-se Private Equity, com um peso de 1,4% na carteira, imobiliário (1,1%), investimentos relacionados com a actividade resseguradora (0,8%), Distressed Debt (0,5%) e Venture Capital (0,3%).
Desde o início do ano, entre os investimentos alternativos os principal contribuidor foram as componentes de Private Equity (+12 bp), tendo o principal detractor sido o imobiliário (-8 bp).
Política de Investimento