No segundo trimestre de 2026, o Fundo Alves Ribeiro PPR registou uma variação de +4,4%. Nos últimos 12 meses, a rendibilidade do Fundo ascende a +6,0%:
Relativamente à filosofia de investimento, o Fundo assume uma visão assente nos seguintes pilares:
- Os mercados financeiros são ineficientes e oferecem sempre oportunidades de investir em activos subavaliados;
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O investimento acarreta riscos (de mercado, taxa de juro, crédito, liquidez, etc.) e esses riscos devem ser remunerados. Por outras palavras, o Fundo assume risco quando o binómio risco-retorno é considerado interessante;
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A principal estratégia de cobertura de risco é a diversificação e a adopção de uma perspectiva de médio-longo prazo. A diversificação entre as várias classes de activos e títulos individuais permite controlar o risco e a volatilidade da carteira global. Não elimina o risco de perda de capital, mas mitiga significativamente o risco específico dos títulos, sectores ou mercados geográficos individuais.
Estes princípios, que regem o processo de investimento do Fundo, traduzem-se numa carteira com a seguinte alocação de activos:
Como ilustrado pela tabela, nos últimos trimestres temos mantido uma exposição substancial a obrigações europeias, com preferência pelo segmento Investment Grade, onde se identifica mais valor em termos relativos.
No que diz respeito à performance global do Fundo na primeira metade do ano, importa sublinhar que a componente de “Acções Globais e Emergentes” destacou-se com uma contribuição positiva de cerca de 122 pb. Este desempenho foi impulsionado sobretudo pela valorização do ETF Amundi MSCI Emerging Markets (+51 pb) e da acção da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (+39 pb).
Nas próximas páginas, apresentamos com maior detalhe as componentes accionista e obrigacionista do Fundo.
Principais Destaques na Componente Obrigacionista do Fundo
No que diz respeito às métricas da componente obrigacionista, no último semestre a duration média da carteira subiu ligeiramente de 6,1 para 6,2 anos. Em termos estratégicos, continuamos a identificar valor na taxa de juro, num contexto macroeconómico caracterizado por níveis significativos de incerteza. Em linha com o referido aumento da duration, também a yield média da carteira observou uma subida, tendo fechado o trimestre nos 4,5%.
No campo de dívida pública, reforçámos de forma significativa a exposição a emitentes core da Zona Euro, aproveitando a subida das yields observada durante o trimestre para aumentar posições em dívida soberana de elevada qualidade creditícia.
Em particular, reforçámos a posição numa obrigação dos Países Baixos (NETHER 0% 15/07/31), emitente que continua a apresentar uma classificação AAA pelas principais agências de rating. Paralelamente, aumentámos a exposição a obrigações inflation linked, tendo ampliado a posição em dívida publica alemã indexada à inflação (DBRI 0,1% 15/04/33).
Entre outras considerações, acreditamos que este segmento continua a apresentar valor numa óptica de diversificação da carteira obrigacionista e protecção face a potenciais surpresas inflacionistas de médio prazo.
No plano da dívida privada, iniciámos uma nova posição em obrigações da L’Oréal com vencimento em 2036 (OR FP 3.375% 01/36). A empresa apresenta um perfil de negócio particularmente resiliente, combinando uma estrutura financeira conservadora com um qualidade creditícia elevada (rating AA+), características que entendemos serem interessantes no actual enquadramento de mercado.
Adicionalmente, reforçámos a exposição a uma obrigação híbrida perpétua da Stellantis (STLA 6.875% PERP), perante uma yield-to-call que continuamos a considerar atractiva para o perfil de risco do emitente. Apesar da natureza subordinada do instrumento, a qualidade creditícia da Stellantis e a sua posição financeira no momento presente suportam a nossa convicção nesta posição.
Por último, do lado das vendas importa referir a alienação integral das obrigações da Suzano com vencimento em 2032 (Suzano 3.125% 01/32). Esta operação permitiu materializar parte da valorização acumulada do título desde a sua aquisição, contribuindo positivamente para a rentabilidade do Fundo e libertando recursos para novas oportunidades de investimento com um perfil de risco/retorno mais atractivo.
Principais Destaques na Componente Accionista do Fundo
Na componente de acções, o Fundo procura ganhar exposição a diversos mercados accionistas a nível global e a empresas estruturalmente atractivas que apresentem as seguintes características:
- Vantagens competitivas difíceis de replicar;
- Alocação de capital eficiente;
- Possibilidade de crescimento acima da média do sector em que se inserem;
- Equipas de gestão com track record positivo;
- Valorizações atractivas;
- Boas classificações ESG.
Entre as empresas a que o Fundo tem maior exposição directa encontram-se a Microsoft (1,6%), a TSMC (1,3%) e a Amazon (1,3%).
Conforme referido anteriormente, destas empresas, a TSMC apresentou a contribuição mais significativa para o Fundo desde o início do ano (+39 bp).
Ainda sobre a componente accionista, aproveitamos para falar de dois nomes da carteira do Fundo:
Líder global em software empresarial, a SAP apresenta um modelo de negócio assente em soluções críticas para a gestão de processos empresariais. Ao longo dos últimos anos, a empresa tem vindo a transformar de forma estrutural o seu modelo, migrando progressivamente de licenças tradicionais para soluções cloud baseadas em subscrições, o que tem contribuído para aumentar a recorrência das receitas e a previsibilidade dos fluxos de caixa.
Este processo de transição tem sido acompanhado por um desempenho operacional robusto, com destaque para o forte crescimento das receitas cloud. De acordo com as divulgações de resultados mais recentes, as receitas cloud e de software registaram taxas de crescimento de dois dígitos, impulsionadas pela procura contínua por soluções como a “S/4HANA Cloud” e a “RISE with SAP”. Em paralelo, a empresa tem evidenciado disciplina na gestão de custos, o que tem permitido uma melhoria gradual das margens.
Em 2025, a SAP apresentou receitas totais da ordem dos 36,8 mil milhões de euros, sendo que o resultado operacional evidenciou também uma evolução positiva, reflectindo não só o crescimento do segmento cloud como também os ganhos de eficiência decorrentes da transformação do modelo de negócio. Adicionalmente, a forte geração de caixa operacional tem permitido à empresa manter um balanço robusto, com uma posição de caixa líquida da ordem dos 2 mil milhões de euros, o que assegura a capacidade de continuar a investir na inovação e no desenvolvimento de soluções diferenciadoras.
Em termos estratégicos, a SAP tem reforçado o posicionamento em áreas de elevado crescimento, nomeadamente, através da integração de inteligência artificial nas suas plataformas, abordagem que tem também permitido aumentar o valor acrescentado dos serviços e aprofundar a relação com os clientes, reforçando as barreiras à saída. Por último, importa salientar o alinhamento da gestão com a criação de valor para os accionistas, evidenciado por uma abordagem disciplinada na alocação de capital e foco na melhoria da rentabilidade.
Face ao exposto, confrontados com a qualidade do modelo de negócio e níveis de avaliação atractivos (com a acção a negociar a um P/E próximo das 19x), considerámos justificada a abertura de uma posição na SAP, reconhecendo a capacidade para continuar a gerar valor de forma sustentada no longo prazo.
Principais Destaques na Componente de Investimentos Alternativos do Fundo
Relativamente à componente de investimentos alternativos do Fundo, a mesma representava cerca de 4,4% da carteira a 30 de Junho de 2026. O objectivo da exposição a investimentos alternativos passa pela obtenção de rentabilidade com reduzida correlação com as demais classes de activos.
Entre as principais exposições contam-se Private Equity, com um peso de 1,4% na carteira, imobiliário (1,0%), investimentos relacionados com a actividade resseguradora (0,8%), Distressed Debt (0,5%) e Venture Capital (0,3%).
Desde o início do ano, entre os investimentos alternativos os principais contribuidores foram as componentes de Private Equity (+7 bp) e Venture Capital (+7 bp).
Política de Investimento