O quarto trimestre de 2025 ficou marcado por uma performance positiva do Fundo Invest Ibéria (+2,7%). Nos últimos 12 meses, a rendibilidade do Fundo ascende a +14,4%:
Este valor compara com um retorno médio de +39,4% para os mercados ibéricos nos últimos 12 meses. Dos nomes em carteira que apresentaram melhor desempenho ao longo dos últimos 12 meses, o destaque recai sobre empresas como a Iberdrola, Inditex, REN ou Sonae, que apresentaram as 4 maiores contribuições positivas para o Fundo no decorrer do último ano, considerando apenas títulos ainda em carteira (+260 bp, +202 bp, +201 bp e +182 bp, respectivamente).
Relativamente ao processo de investimento, o Fundo assume uma visão de longo prazo, assente numa rotação baixa da carteira, que deverá contar com níveis de concentração substanciais. Assim, o Fundo procura investir em empresas do universo ibérico que apresentem:
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Elevadas rendibilidades sobre os capitais investidos (ROIC), obtidas de forma recorrente;
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Vantagens competitivas difíceis de replicar;
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Alocação de capital eficiente;
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Possibilidade de crescimento acima da média do sector em que se inserem;
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Equipas de gestão com track-record positivo;
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Valorizações atractivas.
Estes princípios, que regem o processo de investimento do Fundo, traduzem-se numa carteira com 21 constituintes e que apresenta as seguintes métricas por comparação com o PSI e o IBEX 35:
No trimestre que agora termina, o turnover da carteira foi baixo. Apesar do referido, procedemos com alguns ajustes relevantes. Entre os mais significativos, destacamos o ligeiro aumento da exposição a nomes como a Cellnex Telecom e a redução das posições em empresas como a Iberdrola, REN ou Sonae.
No caso da Cellnex, mantemos uma visão constructiva sobre a empresa e o seu modelo de negócio. Esta perspectiva, aliada a métricas de avaliação atractivas (conforme detalhado na página seguinte), justificou o reforço da posição.
Relativamente à redução ligeira de algumas posições, esta decorre da valorização expressiva registada ao longo do ano e à consequente compressão das dividend yields, bem como à expansão das métricas de avaliação, que já não se encontram em níveis particularmente atractivos.
Esta decisão permitiu também manter uma exposição equilibrada ao sector de utilities, onde operam empresas como a Iberdrola ou REN.
Principais Destaques na Carteira do Fundo
A Cellnex destaca-se enquanto principal operador de infraestruturas de telecomunicações na Europa, sustentada por um modelo de negócio que combina a propriedade e gestão de torres de telecomunicações, antenas, redes DAS, fibra, entre outros activos, com uma estratégia centrada em contractos de longo prazo com operadores móveis e fornecedores de serviços. A empresa assegura presença em múltiplos mercados europeus, entre os quais se inclui Espanha, França, Itália, Reino Unido ou Polónia.
Actualmente, a empresa dispõe da capacidade de crescer orgânicamente, como evidenciado pela evolução de alguns dos principais indicadores operacionais. A empresa continua a aumentar o número de Pontos de Presença (PoPs) e co-localizações, reflexo da forte procura por soluções de infraestrutura de rede partilhada, ao mesmo tempo que melhora a eficiência operacional.
No plano financeiro, nos primeiros nove meses de 2025, as receitas superaram os 2,9 mil milhões de euros, um crescimento orgânico de mais de 5% face ao mesmo período de 2024, excluindo os efeitos de alterações de perímetro decorrentes da venda de activos em países como a Irlanda e a Áustria. De igual modo, o EBITDA após arrendamentos (EBITDAaL) cresceu 7,5%, reflectindo a disciplina operacional e a expansão contínua da base de activos, ao passo que o fluxo de caixa livre recorrente (RLFCF) por acção observou um aumento ainda mais acentuado (+13,2%), parcialmente suportado pela recompra de acções, sendo que o FCF totalizou 187 milhões de euros.
Não menos relevante, a posição financeira da empresa manteve-se equilibrada. A Cellnex reforçou e refinanciou as suas linhas de crédito, assegurando flexibilidade para cumprir os seus compromissos de investimento e refinanciamento de dívida, tendo as principais agências de rating mantido a classificação de investment grade (BBB-) com perspetivas estáveis ou positivas.
Face ao exposto, mantemos uma visão constructiva sobre a Cellnex alimentada sobretudo pelos actuais níveis de avaliação, que consideramos particularmente atractivos. A este factor acresce ainda a remuneração dos accionistas, sendo que o dividendo previsto para 2026 deverá totalizar 500 milhões de euros, aos quais ainda acresce o programa em curso de share buyback, através do qual a Cellnex planeia recomprar até 500 milhões de euros em acções próprias até ao fim de 2026.![]()
Com um modelo de negócio integrado que abrange a exploração e produção de petróleo e gás (upstream), a refinação e comercialização (industrial & midstream), bem como uma aposta nas energias renováveis e soluções de baixo carbono, a Galp afirma-se como um dos principais grupos do sector de Oil & Gas na Península Ibérica. A empresa mantém uma presença geográfica diversificada, com destaque para Portugal, Espanha, Brasil e África, combinando activos maduros com opções de crescimento de longo prazo.
No segmento de upstream, a Galp tem vindo a executar uma estratégia de optimização do portefólio, evidenciada pelo anúncio recente da venda de parte dos seus activos na Namíbia à TotalEnergies. Esta transacção permite à empresa reduzir risco exploratório e obter financiamento de modo a cristalizar valor num projecto ainda em fase inicial. Em paralelo, a Galp continua a beneficiar de uma base sólida de produção no Brasil, onde os campos em operação asseguram elevados níveis de rentabilidade.
No plano financeiro, a Galp tem apresentado um desempenho robusto, suportado por margens resilientes no segmento da refinação e por uma contribuição relevante do upstream. A geração de FCF mantém-se sólida, permitindo financiar investimento, reduzir dívida e assegurar uma atractiva remuneração aos accionistas. A estrutura de balanço permanece equilibrada, com rácios de endividamento controlados e acesso confortável aos mercados de financiamento, factores que sustentam a confiança das principais agências de rating. Perante este enquadramento, mantemos uma visão constructiva sobre a Galp.
Os maiores contribuidores e detractores para a performance do Fundo durante o último trimestre:
Principais Contribuidores:
Principais Detractores:
No que diz respeito aos principais contributos para o desempenho do Fundo no último trimestre, destacamos a evolução positiva das acções da Inditex, Iberdrola, Ferrovial e Vidrala.
Relativamente à Iberdrola, a empresa tem beneficiado com a melhoria das perspectivas para o sector de utilities. A maior previsibilidade regulatória nalguns mercados-chave, aliada a uma execução operacional sólida e a uma estrutura financeira robusta, sustentaram a valorização da acção, o que se traduziu num contributo positivo para o Fundo ao longo do trimestre.
No caso da Ferrovial, a evolução favorável da acção reflectiu sobretudo a qualidade dos activos de infraestruturas, com destaque para as concessões rodoviárias, bem como a tendência positiva do tráfego rodoviário nos mercados onde a empresa detém concessões. Por sua vez, a Vidrala apresentou uma evolução mais volátil ao longo do período, penalizada pela normalização da procura de embalagens de vidro e por um enquadramento económico mais desafiante nalgumas das geografias onde opera. Ainda assim, a empresa mantém um balanço robusto e uma posição competitiva relevante no sector, o que sustenta a nossa convicção no potencial da Vidrala a médio e longo prazo.
Em contrapartida, no último trimestre, as acções da Corticeira Amorim, Galp, Amadeus e Navigator tiveram um impacto negativo no desempenho do Fundo.
As acções da Corticeira Amorim apresentaram um prolongamento do desempenho negativo registado ao longo do ano, penalizadas por uma combinação de factores. O downturn no sector das bebidas tem vindo a impactar de forma negativa diversos players da indústria, incluindo a Corticeira Amorim, ao passo que o processo de reestruturação em curso na unidade de flooring continua a pesar nos resultados do grupo.
Perante factores cujo impacto aparenta ser em grande medida conjuntural, a perspectiva positiva de longo prazo que defendemos para a Corticeira Amorim permanece intacta. Aliás, continuamos a partilhar da opinião que a reorganização da unidade de flooring poderá vir a surtir um efeito positivo, ao reduzir a pressão negativa que este segmento tem exercido sobre o resultado global do grupo.
No caso da Galp, o desempenho negativo reflectiu, em parte, a maior volatilidade dos preços do petróleo e dos produtos refinados, num contexto marcado pela diminuição das expectativas de crescimento económico global. Adicionalmente, a compressão das margens de refinação também colocou sob pressão a cotação. Relativamente à Amadeus, a performance negativa surge associada a uma normalização das taxas de crescimento após um período de forte recuperação do tráfego aéreo em anos anteriores. Apesar do referido, os resultados que têm vindo a ser divulgados pela empresa permanecem sólidos.
Por último, o desempenho em bolsa da Navigator foi penalizado pela persistência de um enquadramento desafiante para o sector da pasta e do papel, marcado pela pressão sobre os preços, custos energéticos ainda elevados e uma procura global mais fraca. A visibilidade reduzida sobre a evolução dos preços da pasta, aliada à sensibilidade do negócio aos ciclos económicos, levou os investidores a adoptarem uma postura mais defensiva, o que se reflectiu numa contribuição negativa da empresa para o desempenho do Fundo no período em análise.
Comentário Anual
Ao longo do ano de 2025, o Fundo registou um desempenho positivo, traduzido num aumento de cerca de 14,4% no valor da unidade de participação. A estratégia de investimento manteve-se inalterada, centrada em acções de empresas ibéricas alinhadas com a filosofia do Fundo.
À data do final de Dezembro, a decomposição geográfica da carteira evidenciava uma exposição de aproximadamente 57,3% a acções espanholas e 42,7% a acções portuguesas, pesos que reflectem a maior representatividade e profundidade do mercado espanhol. Do ponto de vista sectorial, destacavam-se as posições em empresas industriais (31,5%) e do sector de utilities (17,0%), este último com contributos particularmente relevantes em 2025.
A valorização deste sector resultou, em grande medida, de uma combinação de factores estruturais e conjunturais, como o ambiente de taxas de juro mais estáveis, a estabilidade das receitas reguladas, a resiliência operacional e o foco crescente na transição energética, acabando por reforçar a confiança dos investidores nestes activos. Empresas como a REN e a Iberdrola ilustram bem este movimento, com valorizações de 41,0% e 38,8%, respectivamente.
No que diz respeito à gestão do fundo, manteve-se uma abordagem de longo prazo, assente em baixa rotatividade e focada na criação de valor através do investimento em empresas bem geridas e com vantagens competitivas sustentáveis. Muitos destes grupos apresentam um fluxo de receitas diversificado e presença em múltiplos mercados. Entre as empresas com footprint global, importa referir nomes como a Airbus, a Ferrovial, a Iberdrola ou a Inditex.
Por comparação com os principais índices de referência ibéricos (IBEX-35 e PSI), o Fundo teve um comportamento mais moderado. Nalguns trimestres, o retorno ficou aquém da performance agregada dos mercados ibéricos, reflectindo uma selecção de títulos assente na consistência ao longo do ciclo e numa disciplina de investimento menos reactiva a movimentos de mercado de curto prazo.
Esta abordagem explica a menor exposição a activos com maior beta e menor estabilidade ao longo do ciclo, nomeadamente, do sector financeiro. Estes títulos tendem a superar o mercado em fases de maior robustez económica, mas são mais penalizados em contextos adversos.
No que se refere especificamente aos bancos, importa salientar que, embora tenham contribuído de forma significativa para a valorização dos índices ibéricos em 2025, o seu desempenho de longo prazo tem sido mais limitado, marcado por uma remuneração accionista por vezes irregular e por episódios de aumentos de capital que resultaram em diluição accionista significativa.