No primeiro trimestre de 2026 o Fundo registou uma variação de -9,1%. Este valor compara com perdas de -1,7% para o MSCI WORLD. Desde o início de actividade, em 1 de Julho de 2022, o Fundo obteve um retorno anualizado positivo de 9,2% vs 13,1% para o MSCI WORLD.
Importa ainda destacar o processo de investimento do Fundo, atendendo a que o mesmo é a chave por detrás do seu desempenho. O Fundo tem uma perspectiva de longo prazo, assente numa rotação baixa da carteira, que deverá contar com níveis de concentração substanciais. Assim, o Fundo procura investir em empresas expostas a tendências estruturalmente atractivas a médio-longo prazo e que possuam:
- Elevadas rendibilidades sobre os capitais investidos (ROIC), obtidas de forma recorrente
- Vantagens competitivas altamente difíceis de replicar
- Alocação de capital eficiente
- Baixos níveis de endividamento
- Possibilidade de crescimento acima da média do sector em que se inserem
- Equipas de gestão com track record positivo
- Boas classificações ESG
Estes princípios que regem o processo de investimento, traduzem-se numa carteira com 29 constituintes e que apresenta as seguintes métricas vs o MSCI WORLD:
No trimestre que agora termina, a rotação da carteira foi moderada, ainda que tenham sido constituídas novas posições no Fundo.
De seguida apresentamos algumas das empresas que integram a carteira e que mereceram destaque pela sua relevância ao longo do trimestre transacto.
We concentrate on quality, not frequency. If a significant issue arises, you will hear from me, but it will not be through quarterly commentary, given our long-term horizon.
- 2025 Letter to Berkshire Shareholders
Principais Destaques na Carteira do Fundo
Enquanto uma das principais fornecedoras globais de índices financeiros, ferramentas analíticas e soluções de apoio ao investimento, a MSCI apresenta um modelo de negócio que se destaca num sector caracterizado por elevadas barreiras à entrada e existência de fluxos de receitas recorrentes.
Nos últimos anos, a empresa tem vindo a apresentar um bom desempenho operacional, com a expansão das subscrições e o aumento das taxas baseadas em activos a reforçar o perfil de geração de caixa da MSCI. A escalabilidade do modelo permitiu uma evolução consistente das receitas e rentabilidade, ao mesmo tempo que a maior diversificação das fontes de receita aumenta a visibilidade sobre o crescimento futuro.
No conjunto do exercício de 2025, as receitas operacionais aumentaram perto de 10%, para os 3.134 milhões de dólares, enquanto o resultado operacional cresceu 12%. O lucro líquido da empresa também cresceu (+8,4%), ao passo que o EPS diluído subiu 11,7% para 15,69 dólares, beneficiando tanto do crescimento operacional como do efeito dos programas de recompra de acções. A disciplina na alocação de capital, materializada com programas significativos de recompra de acções, evidencia o compromisso com a criação de valor para os accionistas e contribui para o crescimento sustentado do lucro por acção.
Por outro lado, as taxas baseadas em activos registaram uma expansão significativa apoiadas na forte procura por ETFs indexados a benchmarks MSCI, um segmento que continuou a ganhar representatividade dentro do portefólio da empresa. Por último, o grupo encerrou o ano de 2025 com uma posição financeira sólida e com capacidade reforçada para expandir o seu alcance junto de novos segmentos de clientes.
Neste contexto, e tendo em conta a robustez operacional, a qualidade do modelo e a posição competitiva diferenciada da empresa, considerámos justificada a abertura de uma posição na MSCI, reconhecendo o seu potencial para continuar a gerar valor de forma consistente no longo prazo.![]()
Líder global na gestão de direitos musicais e serviços para artistas, a Universal Music Group (UMG) apresenta um modelo de negócio suportado por activos intangíveis de elevado valor, forte poder de negociação e exposição ao crescimento do consumo de música digital. Num sector onde a escala, o catálogo e as relações com artistas constituem barreiras à entrada, a UMG beneficia de receitas recorrentes, impulsionadas pela expansão do streaming e pela penetração crescente em mercados emergentes.
Em 2025, a empresa demonstrou uma desempenho operacional sólido, apoiado na execução consistente da estratégia de crescimento. As receitas aumentaram 8,7% numa base anual, reflectindo a combinação de disciplina operacional com o investimento contínuo em artistas e plataformas de distribuição.
No último trimestre de 2025, a UMG reforçou esta tendência, ao apresentar um crescimento das receitas de 4,8% face ao período homólogo, impulsionada principalmente pelo segmento de Recorded Music. As receitas de streaming e subscrição continuaram a desempenhar um papel central, com o streaming a crescer mais de 9% em moeda constante e as subscrições cerca de 7,7%.
Em paralelo, a UMG continuou a aprofundar iniciativas estratégicas, incluindo a expansão de serviços direct‑to‑consumer e o reforço da presença em mercados de elevado crescimento, mantendo em simultâneo uma abordagem disciplinada na gestão do capital e optimização de margens. A empresa realizou ainda investimentos relevantes, incluindo a compra da Downtown Music e a entrada no capital da Excel Entertainment, com o objectivo de ampliar a exposição a novos nichos e geografias. Por último, os programas de recompra de acções implementados pela UMG têm contribuído para reforçar a criação de valor para os accionistas, evidenciando o compromisso com uma alocação de capital eficiente.
Perante um catálogo único, capacidade comprovada de execução e níveis de avaliação atractivos aquando da compra (rácio P/E próximo das 16x), procedemos ao investimento na Universal Music Group. Decorrente da nossa análise, acreditamos que a empresa se encontra bem posicionada para captar o crescimento estrutural da música digital e continuar a criar valor de forma sustentável no longo prazo.
Os maiores contribuidores e detractores para a performance do Fundo durante o último trimestre:
Principais Contribuidores:

Principais Detractores:

No que diz respeito aos principais contributos para o desempenho do Fundo no último trimestre, destacamos a evolução positiva das acções da Linde, Costco, ASML e TSMC.
A Linde apresentou um desempenho robusto no trimestre, reflectindo um modelo de negócio mais defensivo e resiliente, que tende a ser privilegiado pelos investidores em períodos de maior instabilidade, beneficiando a evolução da acção. Por outro lado, como consequência de um modelo de negócio assente em preços competitivos, volumes elevados e uma base de membros extremamente fiel, a Costco continua a apresentar uma bom desempenho operacional, sustentando o bom desempenho da empresa em bolsa.
No campo da tecnologia, a ASML beneficiou da melhoria da visibilidade em torno do ciclo de investimento em semicondutores avançados. Com uma posição praticamente monopolista em equipamentos de litografia EUV, a empresa tem vindo a reforçar a convicção dos investidores relativamente ao seu papel central na cadeia de valor da indústria, num contexto em que se observa maior investimento na capacidade de produção.
A TSMC apresentou igualmente um contributo positivo, com a posição dominante no fabrico de chips avançados a sustentar a valorização das acções.
Em sentido oposto, no último trimestre, as acções da Microsoft, LVMH, Amazon e Visa tiveram um impacto negativo no desempenho do Fundo.
A Microsoft registou uma correcção após um período prolongado de forte valorização, tendo sido prejudicada como consequência do maior escrutínio sobre o nível de investimento associado à IA e o eventual impacto dessas despesas nas margens. A Amazon foi igualmente penalizada pelo nível de investimento elevado em infraestrutura, apesar do desempenho robusto das divisões de cloud e ecommerce.
Por outro lado, a LVMH enfrentou um trimestre algo desafiante, não apenas devido ao panorama macroeconómico global em mudança, mas também por receios específicos dos investidores relativamente à evolução das vendas no Médio Oriente, numa conjuntura marcada pela intensificação do conflito na região. A incerteza quanto à procura futura, bem como a exposição do grupo a geografias mais sensíveis ao contexto geopolítico, pressionaram o sentimento em torno do sector dos bens de luxo.
No que diz respeito à Visa, a empresa registou um desempenho mais fraco, num trimestre em que o mercado evidenciou uma rotação sectorial que prejudicou o factor qualidade em detrimento de empresas com momentum de resultados de curto prazo, mas cuja sustentabilidade ao longo do tempo pode ser de carácter mais dúbio. Na realidade, este foi um movimento que prejudicou o Fundo no geral no trimestre transacto.