O quarto trimestre de 2025 ficou marcado por uma performance positiva do Fundo Invest Tendências Globais, com uma rendibilidade de +2,0%. Este valor compara com um retorno de 3,2% para o MSCI WORLD. Desde o início de actividade, em 1 de Julho de 2022, o Fundo obteve um retorno anualizado positivo de 13,0% vs 14,6% para o MSCI WORLD, o que se traduz numa underperformance anualizada de 160 bp.
Neste trimestre, a suportar o crescimento do Fundo estiveram empresas de diversos quadrantes, em particular, algumas acções pertencentes ao sector de Tecnologia, como a Alphabet, TSMC ou Amazon.
Importa ainda destacar o processo de investimento do Fundo, no sentido que o mesmo é a chave por detrás do seu desempenho. O Fundo tem uma perspectiva de longo prazo, assente numa rotação baixa da carteira, que deverá contar com níveis de concentração substanciais. Assim, o Fundo procura investir em empresas expostas a tendências estruturalmente atractivas a médio-longo prazo e que possuam:
- Elevadas rendibilidades sobre os capitais investidos (ROIC), obtidas de forma recorrente
- Vantagens competitivas altamente difíceis de replicar
- Alocação de capital eficiente
- Baixos níveis de endividamento
- Possibilidade de crescimento acima da média do sector em que se inserem
- Equipas de gestão com track record positivo
- Boas classificações ESG
Estes princípios que regem o processo de investimento, traduzem-se numa carteira com 29 constituintes e que apresenta as seguintes métricas vs o MSCI WORLD:
No trimestre que agora termina, o nível de rotação da carteira foi reduzido, não tendo sido constituídas novas posições.
De seguida destacamos algumas das empresas nas quais o Fundo se encontra investido e que mereceram a nossa atenção ao longo do trimestre transacto.
Principais Destaques na Carteira do Fundo
A Ferrari destaca-se como uma das marcas mais emblemáticas no sector automóvel de luxo, sustentada por um modelo de negócio centrado na exclusividade e forte ligação à experiência do cliente. A empresa combina a produção controlada de veículos premium (cerca de 14.000 veículos por ano), com personalizações sob medida e receitas complementares de serviços e licenças de marca, mantendo uma presença global diversificada nos principais mercados internacionais.
Um dos pontos diferenciadores da empresa prende-se com a capacidade de equilibrar volumes restritos de produção com um portefólio de personalizações e modelos especiais, o que reforça o valor dos produtos e sustenta margens operacionais muito superiores à média do sector automóvel tradicional. Esta abordagem confere flexibilidade para responder às preferências dos clientes e adaptar a estratégia face à evolução das tendências de mercado e exigências tecnológicas, incluindo a transição para veículos híbridos e eléctricos.
Nos primeiros nove meses de 2025, a Ferrari registou um desempenho financeiro sólido, com crescimento das receitas, que superaram os 5,3 mil milhões de euros (+8% face ao mesmo período de 2024), reflectindo um forte contributo de modelos de elevado valor (SF90 XX e 12Cilindri) e dos serviços de personalização. O EBIT situou-se perto dos 1,6 mil milhões de euros, crescendo cerca de 12% (YoY), ao passo que as margens operacionais se mantiveram robustas (margem EBIT próxima dos 30%), evidenciando a disciplina operacional do grupo. Por último, o lucro líquido atingiu os 1,2 mil milhões de euros.
No plano financeiro, a posição do grupo permanece sólida, com um balanço robusto que sustenta tanto o programa de investimento em inovação tecnológica como as estratégias de remuneração accionista, incluindo programas de recompra de acções. Não menos relevante, a empresa mantém uma sólida carteira de encomendas, o que garante visibilidade de receitas para os próximos anos.![]()
Empresa líder no sector de gases industriais, a Linde apresenta um modelo de negócio integrado que combina produção, fornecimento e serviços de gases essenciais para diversas indústrias, incluindo as de químicos, energia, saúde, semiconductores, entre outras. O alcance global do grupo, cujas operações estão presentes em mais de 100 países, assegura uma presença diversificada em diversos mercados.
O grupo destaca-se através da sua ampla gama de produtos, dos gases básicos (como oxigénio e azoto), aos gases especializados para aplicações críticas em sectores como semicondutores ou energia (nomeadamente, o hidrogénio limpo e tecnologias de captura de carbono). Aliada à capacidade de firmar contratos de longo prazo e parcerias estratégicas, estes factores conferem estabilidade às receitas e permitem responder de forma flexível às necessidades dos clientes.
Nos primeiros nove meses de 2025, a Linde apresentou um desempenho financeiro robusto apesar do ambiente macroeconómico exigente. As vendas acumuladas superaram os 25 mil milhões de dólares, um crescimento de cerca de 2% face ao período homólogo, impulsionado por diversos factores, incluindo aumentos de preço, apesar de volumes essencialmente estáveis. O lucro operacional totalizou cerca de 7,6 mil milhões de dólares, com margens sólidas de 27%, reflectindo a eficiência contínua na gestão de custos. Por último, o EPS diluído alcançou os $11,34 por acção, um crescimento significativo face ao ano anterior.
No último ano, a Linde deu continuidade à sua estratégia de remuneração accionista através de dividendos crescentes e programas de recompra de acções. De resto, a posição financeira da Linde permaneceu sólida, suportada por uma base de activos robusta e capacidade de investimento em projectos de longo prazo, incluindo projectos de gases para energia limpa e expansão de capacidade em mercados estratégicos.
Do ponto de vista das avaliações e tendo em conta o histórico da empresa em bolsa desde a fusão com a Praxair, importa referir que as acções da Linde têm negociado a múltiplos atractivos, situando-se entre os níveis mais baixos registados nos últimos anos.
Os maiores contribuidores e detractores para a performance do Fundo durante o último trimestre:
Principais Contribuidores:

Principais Detractores:

No que diz respeito aos principais contributos para o desempenho do Fundo no último trimestre, destacamos a evolução positiva das acções da Alphabet, LVMH, Inditex, TSMC, e Amazon.
Relativamente à Alphabet, a valorização registada foi impulsionada por um conjunto de desenvolvimentos recentes que reforçaram o entusiasmo do mercado em torno da empresa. Em particular, a apresentação de novas versões do modelo “Gemini” e a crescente integração de soluções de IA nos produtos de pesquisa, publicidade e cloud contribuíram para fortalecer a percepção de liderança tecnológica da Alphabet e a confiança dos investidores na sua capacidade de monetização da inteligência artificial no médio prazo.
No caso da LVMH, o desempenho positivo esteve associado à resiliência demonstrada por alguns dos principais segmentos de negócio, num cenário em que o mercado antecipava uma desaceleração mais pronunciada do consumo de bens de luxo. A capacidade do grupo em proteger margens e manter uma base de clientes sólida acabou por superar as expectativas mais conservadoras dos analistas, traduzindo-se numa evolução favorável da cotação. Por outro lado, a Inditex beneficiou da continuação de uma execução operacional muito robusta, com resultados que evidenciaram uma forte disciplina de custos, níveis de inventário bem controlados e uma elevada capacidade de adaptação às tendências de consumo.
A TSMC destacou-se num contexto de aumento do investimento em inteligência artificial e da procura por semicondutores de elevada complexidade. A sua posição dominante no fabrico de chips avançados sustentou a valorização das acções e o contributo positivo para o Fundo. Por último, a Amazon registou uma evolução favorável, impulsionada pela melhoria da rentabilidade do negócio de e-commerce, fruto de ganhos de eficiência operacional, e pela forte performance da AWS.
Em contrapartida, no último trimestre, as acções da Ferrari, Microsoft, Exor, Linde e Meta Platforms tiveram um impacto negativo no desempenho do Fundo.
A cotação da Ferrari foi penalizada sobretudo por expectativas exigentes, assentes numa evolução de resultados ainda mais optimista que a apresentada no Capital Markets Day da empresa. Apesar do referido, os fundamentais do negócio permanecem muito sólidos, com uma carteira de encomendas robusta e elevada visibilidade de receitas. Relativamente à Microsoft, embora o desempenho operacional continue sólido, a evolução da acção no trimestre foi menos favorável, reflectindo essencialmente um período de consolidação após ganhos significativos em períodos anteriores. A elevada exposição ao tema da inteligência artificial, já amplamente incorporada na avaliação do título, levou a que quaisquer notícias ou resultados sem surpresas positivas relevantes fossem recebidos com maior cautela por parte do mercado.
A Exor apresentou um desempenho negativo motivado, em grande medida, pela evolução menos positiva de algumas das suas principais participadas, nomeadamente, no sector automóvel e industrial. A evolução da cotação das empresas do portefólio, aliada a um maior desconto aplicado pelo mercado ao valor dos activos líquidos, acabou por penalizar a cotação da holding ao longo do trimestre. No caso da Linde, as acções foram pressionadas por expectativas de abrandamento da procura industrial em alguns mercados-chave, bem como por uma postura mais conservadora dos investidores. Por fim, a Meta Platforms registou uma evolução negativa em bolsa, num contexto de maior exigência dos investidores quanto à capacidade de sustentar níveis elevados de investimento em inteligência artificial sem comprometer a rentabilidade.