No segundo trimestre de 2026, o Fundo registou um ganho de +11,1%. Este valor compara com uma variação de +14,6% para o MSCI WORLD. Desde o início de actividade, em 1 de Julho de 2022, o Fundo obteve um retorno anualizado positivo de 11,5% vs 16,1% para o MSCI WORLD.
Importa ainda destacar o processo de investimento do Fundo, atendendo a que o mesmo é a chave por detrás do seu desempenho. O Fundo tem uma perspectiva de longo prazo, assente numa rotação baixa da carteira, que deverá contar com níveis de concentração substanciais. Assim, o Fundo procura investir em empresas expostas a tendências estruturalmente atractivas a médio-longo prazo e que possuam:
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Elevadas rendibilidades sobre os capitais investidos (ROIC), obtidas de forma recorrente
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Vantagens competitivas altamente difíceis de replicar
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Alocação de capital eficiente
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Baixos níveis de endividamento
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Possibilidade de crescimento acima da média do sector em que se inserem
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Equipas de gestão com track record positivo
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Boas classificações ESG
Estes princípios que regem o processo de investimento, traduzem-se numa carteira com 29 constituintes e que apresenta as seguintes métricas vs o MSCI WORLD:
No trimestre que agora termina, a rotação da carteira foi reduzida, tendo sido aberta apenas uma nova posição (a Hermès).
Na certeza de que o trimestre ficou marcado por uma aceleração do factor momentum, o mercado valorizou as variações de resultados por acção para o futuro imediato em detrimento da sustentabilidade das referidas variações a médio-longo prazo. Assim, é importante reforçar a filosofia de investimento do Fundo, baseada no longo prazo, que se traduz no investimento em empresas com balanços sólidos e vantagens competitivas sustentadas, por oposição ao trading oportunístico de curto prazo.
De seguida, apresentamos algumas das empresas que integram a carteira e que mereceram destaque pela sua relevância ao longo do trimestre transacto.
An investment operation is one which, on thorough analysis, promises safety of principal and a satisfactory return. Operations not meeting these requirements are speculative.
- Benjamin Graham
Principais Destaques na Carteira do Fundo
Fundada em 1837, a Hermès destaca‑se pelo seu posicionamento único no sector, assente na exclusividade e controlo integral da cadeia de valor. Ao contrário de outros grupos de luxo, a empresa mantém uma estratégia deliberadamente disciplinada a nível da oferta, privilegiando a preservação da marca em detrimento da sua expansão acelerada. Este modelo garante um pricing power significativo e níveis de rentabilidade estruturalmente elevados.
Nos últimos anos, a empresa tem vindo a apresentar um desempenho operacional robusto, suportado pela procura resiliente por alguns dos seus produtos mais icónicos, como é o caso das malas Birkin e Kelly, bem como pela crescente diversificação geográfica. A capacidade de ajustar preços sem impacto relevante na procura, aliada à escassez controlada da oferta, tem permitido a expansão das margens e o reforço da capacidade de geração de caixa, mesmo em contextos macroeconómicos mais desafiantes.
No exercício de 2025, a Hermès voltou a evidenciar esta dinâmica, com receitas superiores a 16 mil milhões de euros, representando um crescimento próximo de 9% (YoY, a câmbios constantes). O resultado operacional recorrente ascendeu a aproximadamente 6,6 mil milhões de euros, traduzindo‑se numa margem operacional superior a 41%, entre as mais elevadas do sector. O grupo apresenta ainda um balanço sólido, com uma posição líquida de caixa superior a 12 mil milhões de euros. Esta robustez permite sustentar o investimento e manter uma política consistente de remuneração aos accionistas.
Por outro lado, o grupo continua a investir na expansão da capacidade de produção, nomeadamente, através da abertura de novos ateliers em França, assegurando a preservação da qualidade que define a marca. Neste contexto, tendo igualmente em conta as avaliações mais atractivas observadas desde o final de Março (com a acção a negociar a um P/E em torno das 36x, abaixo do intervalo histórico de 45x a 55x), considerámos justificada a abertura de uma posição na empresa, reconhecendo o seu potencial para continuar a gerar valor no longo prazo.
Enquanto um dos principais produtores de recipientes de vidro, a Vidrala destaca‑se pelo seu modelo de negócio assente na proximidade ao cliente e forte disciplina operacional. Num sector caracterizado por custos energéticos relevantes e exigência de escala, a empresa beneficia de uma base de activos eficiente, relações comerciais de longo prazo e um posicionamento competitivo nos países onde opera.
Em termos operacionais, a empresa tem evidenciado um desempenho resiliente, suportado pela capacidade de adaptação a um enquadramento macroeconómico desafiante, nomeadamente, através da optimização de preços e de uma gestão rigorosa de custos. A natureza essencial dos seus produtos, aliada à exposição a segmentos relativamente defensivos como a alimentação e bebidas, contribui ainda para uma maior estabilidade da procura.
Nos últimos anos, a Vidrala apresentou uma evolução operacional sólida, reflectindo também o impacto das medidas implementadas ao nível da eficiência productiva. A margem EBITDA manteve-se em níveis historicamente elevados, sendo que a geração de caixa permanece robusta, tendo contribuido para a redução progressiva da alavancagem (rácio Net Debt/EBITDA de cerca de 0,6x).
Paralelamente, a empresa tem assumido uma estratégia disciplinada de alocação de capital, combinando investimento selectivo em capacidade com uma remuneração consistente aos accionistas, que inclui um programa de recompra de acções que contempla a aquisição de até 3% do capital social. Neste âmbito, importa ainda destacar um sinal relevante, dado que o CEO tem vindo a reforçar a sua posição através da compra de acções em mercado. Este alinhamento de interesses constitui um indicador claro de confiança no potencial do negócio. Neste contexto, considerámos justificada a manutenção de uma posição na Vidrala, reconhecendo a sua capacidade para continuar a gerar valor ao longo do tempo.
Os maiores contribuidores e detractores para a performance do Fundo durante o último trimestre:
Principais Contribuidores:
Principais Detractores:
No que diz respeito aos principais contributos para o desempenho do Fundo no último trimestre, destacamos a evolução positiva das acções da TSMC, Alphabet, ASML e Amazon.
A TSMC apresentou um desempenho robusto, reflectindo a procura crescente por semicondutores, impulsionada pela rápida adopção de soluções de inteligência artificial. Com uma quota de mercado próxima de 70% na produção de semicondutores de ponta, a empresa encontra-se numa posição privilegiada para beneficiar desta tendência. Importa ainda salientar os elevados níveis de rentabilidade sobre o capital investido da empresa, bem como o facto da output yield superar a de diversos concorrentes.
Ao beneficiar de uma alteração na percepção do mercado relativamente ao seu posicionamento no universo da inteligência artificial (IA), a Alphabet registou uma evolução favorável no trimestre. A empresa passou a ser vista não apenas como uma utilizadora destas tecnologias, mas também como um dos principais beneficiários. O ecossistema digital, que inclui plataformas como o Google Search, YouTube, Android e Google Maps, compreende bases de dados que abrangem mais de mil milhões de utilizadores, proporcionando um volume de dados difícil de replicar. Esta vantagem tem permitido à empresa desenvolver modelos cada vez mais competitivos, reforçando as perspectivas de crescimento do negócio.
Por outro lado, a ASML beneficiou das dinâmicas favoráveis observadas no sector dos semicondutores. Para além do crescimento da procura por chips avançados associados à IA, a empresa continua a beneficiar do desfasamento entre a oferta e a procura de memórias. A normalização deste desequilíbrio exigirá investimentos adicionais em capacidade productiva, o que deverá traduzir-se numa procura sustentada pelos sistemas de litografia da ASML. Por último, a Amazon recuperou da incerteza gerada pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente e pelo potencial impacto que estas poderiam ter sobre o comércio global.
Em sentido oposto, as acções da EssilorLuxottica, Copart, Costco e Stryker tiveram um impacto negativo no desempenho do Fundo durante o trimestre.
A Essilor registou uma correcção após um período prolongado de forte valorização, impulsionado pelas expectativas associadas ao sucesso dos smartglasses Meta Ray-Ban. A perspectiva de maior concorrência com a entrada da Alphabet e da Apple neste mercado contribuiu para um de-rating de múltiplo de avaliação na empresa. Face ao exposto, aproveitámos para reforçar uma posição que havia sido parcialmente reduzida anteriormente a níveis mais elevados.
Por outro lado, a Copart viu a concorrente RB Global a ganhar algum negócio marginal, num contexto de mercado segurador mais fraco, o que teve impacto nos volumes. Na nossa opinião, a queda da cotação é excessiva, visão compartilhada pela gestão da empresa que decidiu usar a sua sólida posição de caixa para iniciar um programa de recompra de acções agressivo, tendo sido adquiridos 1,6 mil milhões de doláres em acções (até 30 de Abril de 2026), o que representa 3,7% do capital da empresa.
No caso da Costco, o desempenho operacional permanece sólido, sustentado por uma proposta de valor atractiva para os consumidores num contexto de aumento do custo de vida. A correcção na cotação parece, assim, pouco relacionada com a evolução do negócio, podendo tratar-se mais de um movimento de rotação sectorial caracterizado pela especulação em torno de subidas rápidas de empresas ligadas ao tema da IA. Relativamente à Stryker, a empresa foi alvo de um ciberataque que impactou as operações e provocou alguma disrupção, situação que foi entretanto resolvida. Dada a natureza de longo prazo do negócio e a forte componente recorrente das receitas, optámos por manter a posição.