A recente onda de calor na Europa trouxe de volta memórias dos lockdowns da pandemia. Desta vez, porém, não foi um vírus, mas sim temperaturas recordes que impulsionaram a perturbação.
Países europeus, incluindo França, Reino Unido, Suíça e Alemanha, viveram os dias mais quentes já registados em Junho.
Os últimos 12 anos foram os mais quentes de sempre.

De acordo com Carsten Brzeski do ING, os termómetros tornaram-se um indicador importante do crescimento económico.
“As actuais ondas de calor trazem um novo risco negativo para a economia europeia: potenciais atritos na cadeia de fornecimentos devido aos baixos níveis de água nos principais rios e infraestruturas afectadas mas também perdas de produtividade”.
Um estudo de 2021 sobre os piores anos quentes da Europa (2003, 2010, 2015 e 2018) apontou que as perdas do PIB em todo o continente devido à redução da produtividade do trabalho em 0,3-0,5% (output, não crescimento do PIB), ultrapassando 1% nas regiões mais expostas.
Outros estudos acrescentam os custos de resfriamento e, consequentemente, calculam um impacto ainda maior no crescimento. Somando o aumento dos custos de saúde, reparações nas infraestruturas e o impacto das ondas de calor e secas nas vias navegáveis, transporte ou agricultura, o impacto negativo na economia cresce ainda mais.
No passado, era tentador para os europeus do norte classificarem o risco de calor como "problema dos outros": Madrid não é problema de Munique. No entanto, os dados não apoiam mais essa teoria.
Pelo contrário, a Alemanha ocupa o terceiro lugar entre as maiores economias da Europa em perdas acumuladas de calor até 2030. Não porque os verões alemães rivalizem com os de Sevilha, mas porque infraestrutura, habitações e sectores intensivos em mão-de-obra, como construção e logística, foram construídos para um clima mais fresco.
Ondas de calor representam um novo risco para o crescimento europeu
Olhando para o futuro, embora a recente queda nos preços da energia deva trazer algum alívio para as famílias e empresas europeias, as actuais ondas de calor trazem um novo risco para a economia europeia.
Na verdade, as ondas de calor passaram silenciosamente de "evento climático" para "variável macro". O termómetro, ao que parece, tornou-se um indicador avançado.
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Fonte: ING, Nature Communications