
A transição energética tem vindo a consolidar-se como um dos vectores centrais da transformação da economia a nível global, impulsionada pela necessidade urgente de reduzir as emissões de carbono e pela crescente procura por fontes de energia sustentáveis. Este movimento está a ser acelerado por avanços tecnológicos na electrificação e no armazenamento de energia, bem como por compromissos ambiciosos assumidos por governos e empresas para atingir a neutralidade carbónica até 2050. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), os investimentos globais em energias renováveis e eficiência energética deverão ultrapassar os 4 biliões de dólares anuais até 2030, reflectindo o crescimento exponencial da indústria[1].
Na Europa, a transição para uma matriz energética mais limpa tem sido uma prioridade estratégica. O Parlamento Europeu estabeleceu a meta de atingir 42,5% de participação de fontes renováveis na produção de electricidade até 2030, com a possibilidade de chegar aos 45%, segundo o plano REPowerEU[2]. Esta iniciativa visa reduzir a dependência de combustíveis fósseis e acelerar a adopção de energia solar e eólica, sectores que registaram crescimentos expressivos nos últimos anos.
Figura 1 – Percentagem de Energia Proveniente de Fontes Renováveis em cada Estado-Membro da UE
Fonte: Eurostat (2022)
Segundo a BloombergNEF, a capacidade instalada de energia solar deve crescer cerca de 19% ao ano até 2030, enquanto a energia eólica deverá manter um crescimento médio anual de 11%[3].
Figura 2 – Outlook para a Evolução da Capacidade Instalada (GW) de Instalações Eólicas Offshore, por País/Região
Fonte: BloombergNEF
Empresas do sector energético têm implementado planos de expansão ambiciosos, impulsionados pelo aumento dos incentivos governamentais e pelo crescente interesse dos investidores. Em 2023, os investimentos globais na transição para uma economia de baixo carbono atingiram um recorde de 2,1 biliões de dólares, segundo a BloombergNEF, abrangendo áreas como energias renováveis, redes eléctricas, transporte electrificado e armazenamento de energia[4]. Contudo, para cumprir os objectivos estabelecidos, será necessário intensificar esses investimentos, com previsões que apontam para valores superiores a 4 biliões de dólares anuais até ao final da década, conforme indicado pelo World Energy Outlook 2024 da IEA[5].
Figura 3 – Evolução Anual do Volume Global de Contratos de Compra de Energia Limpa (PPAs), por Região
Fonte: BloombergNEF
Apesar das oportunidades significativas, a transição energética apresenta desafios relevantes. A necessidade de políticas públicas favoráveis, a gestão dos custos da energia e a estabilidade dos mercados regulatórios são factores essenciais para garantir a viabilidade económica dos investimentos. Adicionalmente, a competição global por subsídios para energia limpa, particularmente entre os Estados Unidos, Europa e China, está a remodelar o panorama competitivo e a criar um ecossistema dinâmico, mas também volátil.
A transição energética não está isenta de obstáculos, nomeadamente, em termos de políticas públicas, como tem vindo a ser observado nos Estados Unidos, onde os compromissos com a transição energética têm sido adiados ou mesmo revertidos nalguns casos. Após a tomada de posse de Donald Trump, em Janeiro de 2025, o governo norte-americano tomou medidas para reduzir os incentivos a energias renováveis e eficiência energética, com a redução de subsídios para a produção de energia solar e eólica e a flexibilização de regulamentações ambientais. No âmbito da sua política energética, a nova administração norte-americana favoreceu a exploração de combustíveis fósseis, atrasando o prazo para cumprimento das metas de emissões de carbono do país. Este retrocesso sublinha um risco significativo na transição energética global: a dependência de políticas públicas estáveis e o apoio governamental contínuo, essenciais para garantir que os investimentos em energias limpas sejam sustentados.
Conclusão
A transição energética representa, assim, uma oportunidade estratégica de investimento sustentável e de longo prazo, suportada por compromissos globais, inovação tecnológica e a necessidade de mitigar as alterações climáticas. Com um mercado em expansão e investimentos significativos direcionados para soluções inovadoras, investidores atentos a esta dinâmica poderão encontrar retornos atractivos num sector essencial para o futuro da economia global e da sustentabilidade ambiental.
Referências
[1, 5] IEA, World Energy Outlook 2024.
[2] Comissão Europeia, Plano REPowerEU.
[3, 4] BloombergNEF, Energy Transition Investment Trends 2024.