TACO - "Trump Always Chickens Out" outra vez?
Desde o ano passado que temos assistido às ameaças de tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como uma forma de coerção para forçar outros países a aceitarem as suas exigências. Ele usou essa estratégia repetidas vezes para acelerar ou pressionar as negociações. Contudo, todas as vezes que ameaçava impor tarifas, marcava uma data futura para que elas entrassem em vigor e depois não avançava.
No fim-de-semana, Trump anunciou que a Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Suécia enfrentarão uma tarifa de 10% a partir de 1 de Fevereiro, subindo para 25% a partir de 1 de Junho, a menos que os Estados Unidos tenham permissão para comprar a Gronelândia.
Trump é obcecado com a Gronelândia, alegando razões de segurança nacional. Segundo ele, se os EUA não tomarem a Gronelândia, a Rússia e a China o farão. O motivo provavelmente é outro. A Gronelândia possui alguns dos maiores depósitos inexplorados de minerais de terras raras do mundo, que são essenciais para a fabricação tecnológica e armamentos avançados. Actualmente, a China domina a cadeia global de abastecimento desses minerais. Possuir ou controlar os recursos da Gronelândia reduziria significativamente a dependência económica e militar dos EUA das exportações chinesas.
Desde 2020 que a União Europeia tem importado cada vez mais serviços dos EUA quando comparado com o que tem exportado, aumentado o diferencial entre as exportações e importações.

A União Europeia representou 20,2% das importações dos EUA, no valor de 303 mil milhões de dólares, entre Janeiro e Maio de 2025.
Os EUA representa 8% do total de exportações da Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Suécia entre 2020 e 2025. Alemanha é o país que mais exporta aos EUA.
A União Europeia está agora em negociações para impor tarifas sobre 93 mil milhões de euros de produtos norte-americanos, caso Donald Trump concretize a sua ameaça de aplicar uma tarifa de 10% aos países europeus a partir de 1 de Fevereiro. A UE também está a ponderar medidas adicionais para além das tarifas, mas primeiro tentará encontrar uma solução diplomática.
De acordo com o analista do Goldman Sachs, Adam Crook, uma taxa tarifária de 10% sobre produtos da UE "reduziria o PIB real nos países europeus afectados em 0,1-0,2% devido às exportações mais baixas. Os efeitos da inflação provavelmente seriam muito pequenos e uma regra de Taylor apontaria para taxas de juro modestamente mais baixas, tudo o mais sendo igual."

Os investidores aguardam agora mais novidades sobre estas negociações e das declarações que Trump poderá prestar no Fórum de Davos na Quarta-feira, dia 21 de Janeiro.
Fonte: Bloomberg, Goldman Sachs, Reuters