Vender EUA é algo complicado para os europeus, saiba porquê

feature-image

As declarações de Donald Trump sobre a Gronelândia levaram muitos investidores europeus a optarem pela venda de activos norte-americanos. No entanto, reduzir a exposição aos Estados Unidos não é simplesmente uma questão de realocar fundos mas de desfazer de uma dependência profunda e estruturalmente enraizada na Europa.

"Sell America" não é uma Saída Definitiva


Os ETFs domiciliados na Europa, com exposição exclusiva aos EUA, apresentaram uma desaceleração notável nos fluxos no ano passado, com apenas cerca de 10% das subscrições de ETFs, um dos níveis mais baixos em vários anos. No entanto, essa mudança de foco subestima o grau real de redução de risco aos Estados Unidos.

Cerca de 41% dos fluxos no mesmo período, foram direccionados para ETFs de acções globais com uma alocação de 65-70% em acções norte-americanas. Na prática, isso significa que os investidores não estão efectivamente a sair de activos norte-americanos para acções internacionais mas sim, aumentando uma exposição global a portfolios que já permanecem fortemente centrados nos Estados Unidos.

1-Jan-21-2026-11-08-47-5601-AM
A Exposição aos EUA é Grande Demais para Ser Ignorada


Os ETFs domiciliados na Europa, com exposição directa aos EUA, detêm cerca de 1 bilião de dólares em activos enquanto os ETFs de acções globais representam aproximadamente 1,2 biliões de dólares, com os EUA representando, mais uma vez, a parcela dominante das ponderações dos índices nesses produtos. Juntos, isso significa que uma parte substancial do universo de ETFs da Europa está efectivamente investida em activos norte-americanos ou implicitamente ligados a eles através de benchmarks globais.
2-Jan-21-2026-11-11-53-5284-AM

Emitentes de ETFs norte-americanos dominam o mercado europeu


Uma análise mais detalhada da distribuição de activos e emitentes, revela que as empresas norte-americanas são mais dominantes no mercado europeu de ETFs do que os emitentes locais. Emitentes sediados nos EUA como o BlackRock, Vanguard, Invesco, State Street controlam cerca de 63% do total de activos de ETFs europeus, superando a participação combinada de empresas domiciliadas na Europa e ressaltando o quão profundamente os gestores de activos americanos estão enraizados na infraestrutura de investimento da região.

Em teoria, uma rotação genuína para longe dos activos dos EUA seria mais favorável para emitentes europeus como Amundi, DWS, UBS e BNP que tendem a oferecer uma maior exposição local e regional.3-Jan-21-2026-12-03-51-7427-PM
Fonte: Bloomberg

Partilhar este artigo: