A volatilidade de alguns activos financeiros recentemente, tais como o ouro, prata e bitcoin tem gerado alguma turbulência nos mercados financeiros. No entanto, a maioria dos principais mercados de acções continua a valorizar desde o início do ano.
Será importante referir que os metais preciosos têm disparado em ambos os sentidos, com uma volatilidade demasiado abrupta para gerar grandes efeitos sobre o património. Para além disso, as criptomoedas são detidas por uma pequena parcela da comunidade financeira. Assim, é improvável que o comportamento do investidor altere agora devido aos movimentos recentes do mercado.
A cotação da Bitcoin afundou quase 50% desde o máximo histórico acima dos 120 mil dólares registado em Outubro de 2025.
Segundo a Bloomberg, o "ouro digital" já perdeu a coroa do melhor retorno nos últimos cinco anos entre os activos mais populares. Os 73% da Bitcoin ficam abaixo dos 164% do ouro, dos 82% do índice Nasdaq 100 e dos 75% do índice S&P 500 e, muito aquém do ganho de 218% das "Sete Magníficas".

Por outro lado, as acções norte-americanos começam a ser penalizadas com o índice S&P 500 a entrar em terreno negativo este ano devido às preocupações sobre os substanciais investimentos pelas empresas em inteligência artificial.
Quatro das maiores empresas de tecnologia dos EUA vão gastar 650 mil milhões de dólares este ano em capex, ou seja, a despesa de capital destinado a novos centros de dados e à longa lista de equipamentos necessários para fazê-los funcionar, incluindo chips, cabos de rede e geradores de reserva.
Os planos da Amazon, Microsoft, Google e a Meta estão a alimentar os receios quanto ao custo do boom da IA e preocupações com a perturbação em sectores como o software e os serviços de dados.
As despesas em IA previstas pelas quatro tecnológicas em 2026 em percentagem do PIB é de 3% superando largamente o program Apollo da ida à Lua entre 1960 e 1973, por exemplo.

Estas são as 5 regras para enfrentar a volatilidade dos mercados financeiros:
1) Gestão Rigorosa de Risco
➡️ Volatilidade ≠ risco.
➡️ O verdadeiro risco é a perda permanente de capital, não as variações temporárias.
Foque no seguinte:
✔️ Nunca arriscar mais do que 1-2% do capital por operação;
✔️ Evite "all-in" ou aumentar a posição após perdas.
2) Diversificação Inteligente
➡️ A diversificação é a ferramenta mais barata e eficaz contra volatilidade.
Tenha uma exposição equilibrada entre:
✔️ Classes de Activos;
✔️ Regiões;
✔️ Sectores.
3) Controle Emocional e Perspectiva de Longo Prazo
➡️ A maior vantagem de elevada volatilidade é que ela cria oportunidades mas a maioria dos investidores destrói valor exactamente por reagir ao medo ou ganância.
Princípios que sobrevivem a qualquer crise:
✔️ Ficar investido (historicamente, os melhores dias vêm logo após os piores);
✔️ Ignorar ruído de curto prazo e focar no plano (perfil de investidor + objectivos);
✔️ Rebalancear periodicamente mas sem tornar-se um day trader devido ao pânico.
4) Rendimentos Consistentes e de Qualidade Sempre
Em ambientes incertos:
✔️ Priorize empresas com balanços sólidos e cashflows consistentes;
✔️ Rendimentos recorrentes, como dividendos e juros, que ajudam a carteira a recuperar-se sozinha enquanto o preço oscila.
5) Aproveite a Volatilidade!
Para investidores mais agressivos:
✔️ Volatilidade elevada = prémios maiores em opções e possibilidade de comprar activos descontados.
Conclusão:
Em tempos de volatilidade, o que realmente importa é:
➡️ Não tentar prever cada oscilação ou "acertar o timing" perfeito mas preservar o capital a longo prazo e manter a disciplina emocional;
➡️ O que separa quem preserve e multiplica património de quem a destrói, é a disciplina em gestão de risco, diversificação e paciência. Não é a capacidade de prever o próximo movimento.
Fonte: Bloomberg, WSJ