Yields Estão a Disparar: Saiba Quais os Países Mais Afectados

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Os mercados obrigacionistas estão novamente no centro das atenções. Depois de anos marcados por taxas de juro historicamente baixas, as yields das obrigações soberanas estão a disparar de forma acelerada em várias das principais economias mundiais.

Os Estados Unidos continuem a ser o principal foco dos investidores mas a realidade revela que algumas das maiores subidas ocorreram noutros países, nomeadamente na Coreia do Sul, Japão, Austrália e França.

A referência mundial para os mercados de dívida, a obrigação do Tesouro norte-americano a 10 anos, chegou temporariamente aos 5,04%, o nível mais elevado desde 2007. No entanto, apesar da dimensão desse movimento, os Estados Unidos não lideram a tabela das maiores subidas registadas nos últimos 12 meses.

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Coreia do Sul e Japão surpreendem


A Coreia do Sul destaca-se como o país onde as yields das obrigações soberanas mais aumentaram. A yield da dívida pública a 10 anos passou de 2,81% para 4,59%, uma subida de 178 pontos base, à data de 15 de Setembro. Logo atrás surge o Japão, com um aumento de 145 pontos base, levando a yield para os 3,03%.

O caso japonês é particularmente relevante. Durante décadas, o país viveu num ambiente de taxas de juro extremamente reduzidas, sustentado pela política monetária ultra-acomodatícia do Banco do Japão. O regresso das yields a níveis não vistos há cerca de 30 anos representa uma mudança estrutural significativa e poderá aumentar a pressão sobre uma das maiores dívidas públicas do mundo.

Europa acompanha tendência


Na Europa, a tendência é igualmente evidente. França, Alemanha, Itália, Grécia, Espanha e Portugal registaram aumentos expressivos dos custos de financiamento.

Portugal viu a yield da sua obrigação a 10 anos subir de 3,09% para 3,91%, um acréscimo de 82 pontos base. Embora o aumento seja inferior ao registado em França (+102 pontos base) ou na Grécia (+95 pontos base), demonstra que os investidores estão a exigir maior remuneração para financiar os governos europeus.

A Alemanha, considerada tradicionalmente o porto seguro da Zona Euro, viu igualmente a yield das suas obrigações atingir máximos desde 2009. Este movimento reflete uma mudança mais ampla na perceção do risco e das perspetivas económicas globais.


Porque estão as yields a subir?



➡️ Os preços da energia voltaram a pressionar a inflação. À medida que o petróleo encarece, os receios de uma nova vaga inflacionista aumentam, levando os investidores a exigir retornos mais elevados para compensar a perda de poder de compra futura.

➡️ Muitos governos continuam a acumular elevados défices orçamentais. O aumento das necessidades de financiamento implica uma maior emissão de dívida pública, ampliando a oferta disponível no mercado e contribuindo para a subida dos rendimentos.

➡️ Os investidores parecem ter deixado para trás a era do "dinheiro barato". Durante anos, aceitaram retornos reduzidos em troca da segurança proporcionada pela dívida soberana. Hoje, exigem uma remuneração mais elevada para assumirem esse compromisso de longo prazo.


Impacto na economia real


A subida das yields não afecta apenas os mercados financeiros. As obrigações do Estado servem de referência para grande parte do crédito concedido à economia.

Quando os juros da dívida pública aumentam, tendem também a aumentar os custos dos empréstimos à habitação, do financiamento empresarial e de outras formas de crédito. Consequentemente, famílias e empresas enfrentam condições financeiras mais restritivas.

Os governos também sentem o impacto. À medida que a dívida existente vence e necessita de ser refinanciada, os encargos com juros tornam-se mais elevados, pressionando as contas públicas numa altura em que muitos países já apresentam níveis de endividamento historicamente elevados.



Fonte: Visual Capitalist

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