De acordo com a mais recente edição do Fund Manager Survey do BofA realizada em Setembro, uma subida descontrolada das yields das obrigações substituiu a bolha da Inteligência Artificial como o principal risco para os mercados, pela primeira vez este ano, para um em cada três gestores de fundos globais (33% vs 27% em Agosto)
O motivo desta preocupação reside na evolução da yield curve. Em Agosto, uma maioria significativa dos investidores esperava que a curva continuasse a inclinar-se. Um mês depois, essa previsão desapareceu.
Pela primeira vez desde 2022, os gestores passaram a antecipar um movimento de flattening, acompanhado por expectativas de taxas de curto prazo mais elevadas para 36% dos gestores de fundos, a maior leitura desde Setembro de 2022.
O mercado acredita cada vez mais que os bancos centrais poderão ser obrigados a manter uma política monetária mais restritiva durante mais tempo. Curiosamente, uma parte crescente dos investidores considera que a política monetária global continua demasiado acomodatícia para o nível actual de inflação.
Outro dado interessante surge no posicionamento dos gestores de fundos que continuam fortemente underweight em obrigações e até atingiram o maior nível desde 2022.
Apesar da forte subida das yields verificada nos últimos meses, muitos investidores ainda não consideram que as obrigações ofereçam um retorno suficientemente atractivo para justificar uma mudança significativa de alocação. Vários indicam que apenas yields ainda mais elevadas poderiam desencadear um regresso ao mercado obrigacionista.
No entanto, a mudança de foco para os juros não significa que a confiança na IA tenha desaparecido. Pelo contrário, a maioria dos gestores continua a acreditar que os hyperscalers manterão os seus elevados níveis de investimento em infraestrutura de inteligência artificial (79% vs 71% em Agosto). O receio de cortes significativos no investimento em capex continua reduzido (14% vs 21% em Agosto).
A ironia é que, enquanto o debate público continua centrado na bolha da IA, os gestores de fundos parecem estar cada vez mais preocupados com algo muito menos mediático: o que pode acontecer se as yields das obrigações continuarem a subir mais rapidamente do que a economia consegue suportar. Nesse cenário, o verdadeiro risco não seria apenas para as obrigações mas para praticamente todos os activos financeiros.
Fonte: Bank of America